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Jogadores paraguaios são prejudicados em crise bancária no país
Atletas da seleção paraguaia compartilharam um posicionamento diante da situação

Alguns jogadores da seleção de futebol do Paraguai foram diretamente afetados pela crise envolvendo o Ueno Bank, maior banco privado do país, que teve suas operações paralisadas nesta semana após intervenção do Banco Central paraguaio. O banco atendia cerca de 3 milhões de pessoas, o que correspondia a quase metade da população do país.
A fraude envolvendo o banco provocou a renúncia do presidente do país, Santiago Peña, na tarde desta quinta-feira, 5. Ele foi investidor da holding do Ueno Bank até março de 2025.
Na terça-feira, 3, o escândalo já havia causado a renúncia do presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, que foi nomeado para o cargo por Peña em 2023 e deixou a presidência do Ueno Bank para assumir o posto.
Além disso, oito pessoas ligadas à instituição financeira também foram presas, incluindo o presidente, dois vice-presidentes e o fundador do banco.
O que dizem os jogadores paraguaios?
Os atletas exigiram que o sistema de Justiça do país aja “de forma contundente” para punir os responsáveis pelo colapso do Ueno, revelando que alguns atletas da seleção estão entre os correntistas do banco.
“Nós também fomos vítimas desta situação, assim como muitas famílias paraguaias. Compartilhamos a mesma indignação, a mesma preocupação e a mesma dor que hoje afeta tantos compatriotas”, diz o texto.
O pronunciamento foi compartilhado pelo zagueiro Gustavo Gómez, atualmente capitão do Palmeiras e do Paraguai, e pelos colegas de clube e seleção Maurício e Ramón Sosa.
A carta também foi republicada nas redes sociais pelo zagueiro Fabián Balbuena, do Grêmio, pelo meia Damián Bobadilla, do São Paulo, e pelo atacante Isidro Pitta, do Red Bull Bragantino.
Os jogadores afirmam que, mesmo que tenham sido prejudicados, a maior preocupação agora é proteger as economias dos clientes mais vulneráveis. Segundo a publicação paraguaia ABC Color, dez jogadores da seleção devem entrar com uma ação coletiva contra o banco.
“Nossa prioridade absoluta deve ser o povo trabalhador. Aqueles que tinham as economias de toda uma vida investidas lá. As pessoas com menos recursos que hoje estão em total vulnerabilidade. São elas que precisam de mais apoio e que devem estar em primeiro lugar ante qualquer medida que seja tomada”, afirma o documento.
Entenda a dimensão da crise
Um dos principais bancos do Paraguai, o Ueno Bank administra mais de US$ 850 milhões (cerca de R$ 4,7 bilhões) em recursos públicos, incluindo do Instituto de Previdência Social, responsável pelo sistema estatal de aposentadorias.
A intervenção no Ueno foi anunciada pelo Banco Central paraguaio na terça-feira, 3, e levou à suspensão imediata de todos os serviços do banco. Clientes relataram que não conseguiam fazer operações em caixas eletrônicos nem acessar os serviços bancários pela internet.
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O índice de solvência do Ueno, indicador que mede a capacidade de uma instituição financeira de absorver perdas, caiu para 5,56%, menos da metade do mínimo regulatório no país (12%).
O escândalo culminou na renúncia do presidente Santiago Peña nesta quinta-feira, 5, em uma tentativa de evitar o processo de impeachment e para tentar manter o foro.


