NOVO CANINDÉ
SAF de R$ 1,2 bilhão ganha aval para comprar área de estádio histórico
Venda de aproximadamente 28 mil m² ainda precisa ser formalizada pela Prefeitura de São Paulo


A Prefeitura de São Paulo sinalizou positivamente para a venda de parte do terreno onde está localizado o Canindé para a SAF da Portuguesa. O avanço na negociação pode destravar o projeto de modernização do estádio e solucionar um dos principais entraves para o início das obras da nova praça esportiva.
A informação foi divulgada pelo presidente da Associação, Leandro Teixeira Duarte, em entrevista à Lusa TV na última sexta-feira, 18, ao lado de Alex Bourgeois, presidente da SAF. Segundo os dirigentes, a situação envolvendo o terreno e o poder público precisava ser resolvida para que o projeto pudesse avançar de forma definitiva.
Prefeitura pode vender área de 28 mil m²
Parte do terreno onde está o Canindé pertence ao município de São Paulo e atualmente está sob regime de concessão à Portuguesa. Para avançar na regularização da área, a Prefeitura vinha cobrando garantias e contrapartidas do clube.
Recentemente, o site NETLUSA havia informado que a SAF da Portuguesa estudava adquirir a área pertencente ao município como alternativa para viabilizar o projeto. Agora, a Prefeitura sinalizou positivamente para a venda de aproximadamente 28 mil m² do terreno.
O espaço corresponde ao trecho onde está construída aproximadamente metade do estádio. Outros cerca de 12 mil m² permanecerão sob o atual regime de concessão. Apesar do sinal positivo, a operação ainda precisa ser formalizada pela Prefeitura para que a negociação seja efetivamente concluída.
A intenção da Portuguesa, após a eventual aquisição, é unir a área comprada à parte do terreno que já pertence à Lusa. A mudança ampliaria a autonomia do clube sobre o espaço e poderia abrir novas possibilidades de utilização da área.
Portuguesa avalia exploração comercial do terreno
Enquanto a negociação avança, a Associação já analisa alternativas para transformar o espaço em uma fonte adicional de receitas. Segundo Leandro Teixeira Duarte, entre as possibilidades estudadas está a construção de um clube social vertical, além de outros empreendimentos comerciais.
Ainda não há, porém, uma data definida para o início das obras do novo Canindé. O projeto tinha previsão inicial de começar no ano passado, mas as pendências relacionadas ao terreno e à Prefeitura provocaram atrasos no cronograma.
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Portuguesa não deve jogar fora da Grande São Paulo
Durante a entrevista, Alex Bourgeois também afirmou que a Portuguesa não pretende disputar suas partidas fora da Grande São Paulo enquanto o Canindé estiver fechado para as obras.
A definição será necessária porque a interdição do estádio obrigará o clube a encontrar uma nova casa temporária para os jogos durante o período de construção. O presidente da SAF também garantiu que a empresa irá auxiliar financeiramente a Associação enquanto o Canindé permanecer sem receber partidas.
O estádio representa uma importante fonte de receitas para a entidade, especialmente por meio da locação do espaço e da realização de eventos.
Com o sinal positivo da Prefeitura para a venda da área, a Portuguesa passa a ter uma possibilidade mais concreta para resolver a questão fundiária que vinha dificultando o avanço do projeto. A conclusão da negociação, no entanto, ainda depende da formalização da operação e das próximas etapas envolvendo a Associação, a SAF e o poder público.
Canindé tem história no futebol brasileiro
O Canindé foi palco de partidas marcantes da história da Portuguesa e do futebol brasileiro. Entre elas está a vitória por 5 a 4 sobre o Vasco, pelo Campeonato Brasileiro de 2001. Na ocasião, o então jovem Ricardo Oliveira marcou três gols.
O estádio também recebeu a maior goleada registrada na história do Campeonato Brasileiro. Em 1983, o Corinthians venceu o Tiradentes-PI por 10 a 1 no Canindé.
SAF da Portuguesa prevê investimento bilionário
A SAF da Portuguesa foi apresentada no fim de 2024, com um investimento total anunciado de R$ 1,2 bilhão. Análises contratuais, porém, apontam que os aportes efetivos e a realidade financeira do acordo são mais modestos e distribuídos ao longo de vários anos.
Do valor anunciado, cerca de R$ 450 milhões foram destinados às dívidas da Associação, enquanto outros R$ 500 milhões foram apresentados para a modernização do Canindé e sua exploração comercial como arena multiuso.
Além disso, aproximadamente R$ 263 milhões da parcela total anunciada foram destinados a diferentes áreas do futebol, incluindo folha salarial, contratações, categorias de base e futebol feminino.


