IMOBILIÁRIO
Transformação do mercado altera perfil dos corretores
Dia Nacional do Corretor de Imóveis chama atenção para as mudanças na atuação dos profissionais


Celebrado em 27 de agosto, o Dia Nacional do Corretor de Imóveis chama atenção para as transformações na atuação desses profissionais.
Com a digitalização do mercado imobiliário, a ampliação do acesso à informação e consumidores que chegam às negociações sabendo mais sobre imóveis, preços e localizações, o corretor deixa de atuar apenas como intermediador e passa a assumir um papel mais consultivo, que exige conhecimento técnico, capacidade de interpretar informações e domínio de novas ferramentas.
A data também marca os 64 anos da regulamentação da profissão. Para Nilson Araújo, presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Bahia (Creci-BA), corretor e advogado especialista no segmento imobiliário, a trajetória foi acompanhada pela ampliação do campo de atuação e das responsabilidades da categoria.
Entre os avanços, ele destaca a inclusão da corretagem em capítulo próprio no Código Civil e a consolidação da atuação dos corretores na avaliação de imóveis:
“Completar 64 anos de regulamentação profissional representa uma conquista histórica e, sobretudo, a consolidação de uma atividade que exerce papel de elevada relevância”.
Essa evolução também pode ser percebida na formação dos profissionais. Segundo Nilson, mais de 50% dos corretores de imóveis no Brasil possuem formação superior.
A qualificação ganha importância diante de negociações que envolvem conhecimentos sobre documentação, legislação, financiamento, tributação e contratos, “a profissão tornou-se mais abrangente e, por conseguinte, exige maior preparo. O corretor que não se atualiza corre o risco de ficar à margem de uma atividade que se torna, a cada dia, mais dinâmica e sofisticada”.
“A informação deixou de ser diferencial, conhecimento passou a ser. O corretor atual precisa entender mercado, comportamento do consumidor, crédito, investimento, valorização e, principalmente, saber interpretar todas essas informações para orientar uma decisão”, afirma Thaís Marcolini, corretora de imóveis e sócia-diretora da Affonso Henriques Imobiliária.
Com consumidores mais informados, ela reforça que o diferencial está na análise: “O cliente consegue descobrir sozinho quanto custa um apartamento. O que ele nem sempre consegue responder é: esse imóvel está realmente bem precificado? Esse bairro ainda tem potencial de valorização? Esse produto faz sentido para o meu momento de vida? É aí que entra o corretor consultor”.
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A mudança também aparece na forma de atender. A corretora Alecsandra Freitas conta que boa parte do relacionamento com os clientes começa pela internet, e que eles normalmente chegam sabendo mais sobre os imóveis, localização, valores e características:
“Isso exigiu desenvolver ainda mais agilidade, empatia, escuta e sensibilidade. Mais do que simplesmente responder perguntas, é preciso entender o que o cliente realmente procura, muitas vezes percebendo necessidades que ele ainda nem conseguiu expressar claramente”, aponta.
A tecnologia também ampliou as tarefas e ferramentas incorporadas à rotina. WhatsApp, Instagram, sistemas de gestão de relacionamento com clientes (CRM), inteligência artificial, equipamentos de filmagem, tours virtuais e portais imobiliários passaram a fazer parte da atividade.
A administradora e corretora Andrea Dantas conta que o trabalho envolve desde captação de imóveis e acompanhamento de potenciais clientes até produção de fotos, vídeos e conteúdos para as redes sociais:
“As transformações tecnológicas são muito rápidas e, a todo tempo, estou descobrindo ferramentas que podem agregar valor no meu dia a dia. Para acompanhar esse ritmo acelerado, precisei me reinventar e romper barreiras”.
Porta de entrada
Os canais digitais também se tornaram uma porta de entrada para novos clientes. Andrea relata:
“Alguns clientes chegam por indicação, e muitos, depois de pesquisar na internet, podem ter acesso às minhas publicações em reels, stories e anúncios em portais imobiliários. Se gostam, observam o Instagram e começam a seguir você. O contato pode ser através de direct, WhatsApp ou ligação”.
Apesar da maior presença digital, a corretora Thaís ressalta que isso não significa que o corretor precisa se tornar influenciador:
“Ele precisa ser encontrado e, quando for encontrado, transmitir coerência, conhecimento e credibilidade. A tecnologia potencializa o bom corretor, não substitui o bom corretor”.
Nesse cenário, o presidente do Creci-BA destaca que, além de compreender documentação, contratos, legislação, financiamento e avaliação imobiliária, o profissional precisa desenvolver comunicação, negociação e capacidade de escuta.
Ele também reforça que a formação não se encerra com a obtenção da habilitação, e investir em conhecimento é também investir na própria carreira:
“O bom corretor é aquele que consegue reunir conhecimento e experiência à capacidade de compreender as necessidades do cliente. Afinal, estamos tratando de patrimônio, de investimento e, muitas vezes, da realização de um projeto de vida”, relata.
*Sob supervisão da editora Cassandra Barteló


