
Por Cássio Moreira
Capturado pelas forças militares dos Estados Unidos nas primeiras horas deste sábado, 3, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, construiu uma trajetória marcada pela luta nos tempos de sindicalista, até a sua chegada ao poder do país, ungido por Hugo Chávez.
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Maduro chegou à presidência da Venezuela em 2013, sucedendo Chávez, que permaneceu 14 anos no poder. O chefe de Estado conheceu seu líder político na prisão, se tornando, desde então, um dos seus principais aliados.
Com a chegada de Chávez ao poder, no final da década de 1990, Maduro também cresceu politicamente. Foi presidente da Assembleia Nacional da Venezuela entre 2005 e 2006, ano em que se tornou ministro das Relações Exteriores do país.
No período, Maduro estreitou relações com Celso Amorim, então ministro das Relações Exteriores dos primeiros mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Brasil.
Chegada ao Poder
Na década de 2010, com a descoberta de um câncer, Hugo Chávez precisou passar por um tratamento médico em Cuba, país pelo qual nutria grande admiração, além de ter Fidel Castro como mentor político.
Em 2012, ao se afastar do poder, Chávez passou o cargo para Maduro, que era seu vice-presidente no último mandato, e indicou que, na sua ausência, o aliado deveria ser seu sucessor à frente da nação.
Minha opinião firme, plena como a lua cheia, irrevogável, absoluta, total é que em caso de que, como manda a Constituição, devam ser convocadas novas eleições presidenciais, vocês escolham Nicolás Maduro como presidente da República Bolivariana da Venezuela. Peço isso do fundo do coração
Chávez morreu em março de 2013, aos 58 anos, deixando Maduro no comando da Venezuela. O agora presidente enfrentou, logo de cara, um duro processo eleitoral no mês seguinte, sendo 'reeleito' com 50,61% dos votos.
Empossado, Maduro prometeu estabelecer um diálogo com os divergentes, o que não ocorreu nos anos seguintes.
Quero um diálogo direto com o camponês, o trabalhador, a classe média. Que demos um abraço. Se têm diferenças, mantenham. Mas se aceitam meu convite, venham comigo. Nós garantimos a paz desse país. Só estou aqui pelas circunstâncias histórias
Endurecimento e eleições contestadas
Nicolás Maduro encarou um período instabilidade política nos primeiros anos do seu mandato. Em 2015, o presidente conheceu seu primeiro grande revés, quando perdeu a maioria na Assembleia.
Desde então, o chefe de Estado adotou uma postura de endurecimento nas relações internas, com acusações de perseguição por parte dos seus adversários e vitórias contestadas nas urnas.
Em 2018, Maduro foi reeleito em um dos pleitos mais controversos da história do país. A vitória, aparentemente com larga vantagem, não foi reconhecido pelas demais nações e por seus opositores.
No ano seguinte, ainda sob desconfiança por uma possível fraude, Maduro passou a não ser reconhecido presidente pela Assembleia Nacional, que colocou Juan Guaidó, figura importante de oposição, como líder 'autoproclamado' da nação.
Em 2024, uma nova eleição colocou Maduro como centro de questionamentos. O presidente, que enfrentava alta rejeição local, saiu vitorioso nas urnas, mas não teve sua reeleição reconhecida por grande parte da comunidade internacional.
Em uma ofensiva, Maduro chegou a bater de frente com Lula, seu aliado histórico, questionando a segurança das urnas eletrônicas usadas no processo eleitoral brasileiro.
Como Maduro foi capturado?
Segundo Trump, Nicolás Maduro foi capturado por volta das 2h, em uma ação liderada pela Delta Força, considerada a 'tropa de elite' do exército dos Estados Unidos.
Ainda não há informações sobre como se deu a operação. Os Estados Unidos já haviam sinalizado a possibilidade de uma invasão nos últimos meses, na escalada de uma tensão diplomática que se prolongou por anos.
Próximos passos
Segundo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Maduro será julgado por crimes como 'conspiração para o narcoterrorismo' e 'importação de cocaína'.
Maduro e a primeira-dama Cilia Flores responderão pelos seguintes crimes:
- Conspiração para narcoterrorismo;
- Conspiração para importação de cocaína;
- Posse de metralhadoras e dispositivos explosivos;
- Conspiração para posse de metralhadores
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