Voluntários da Cruz Vermelha da República Democrática do Congo transportam o corpo de vítima - Foto: JOSPIN MWISHA/AFP
O avanço da epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDC) atingiu a marca de 2.011 mortes entre 4.381 casos confirmados, segundo balanço atualizado e divulgado pelas autoridades de saúde congolesas nesta terça-feira, 11. Com uma taxa de letalidade calculada em 45,9%, o surto atual já se aproxima da devastadora crise sanitária vivida no país entre 2018 e 2020, quando o ebola vitimou quase 2.300 pessoas.
A doença se espalha por províncias das regiões leste e nordeste do país, onde a infraestrutura de saúde é precária e o poder público enfrenta grandes dificuldades para conter o contágio.
Conflitos e infraestrutura precária aceleram contágio
Originado na província de Ituri, no nordeste congolês, o surto avança sobre territórios marcados por conflitos armados históricos. Nessas regiões, a presença do Estado é frágil e os hospitais locais operam sem os recursos necessários para o isolamento e tratamento adequado dos infectados.
A combinação entre instabilidade política, deslocamento de populações e escassez de suprimentos médicos tem dificultado a contenção do vírus pelas equipes de emergência sanitária.
OMS recomenda testes com a vacina Ervebo contra nova variante
Diante da ausência de um imunizante específico contra a variante Bundibugyo — responsável pelo surto atual —, especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendaram a realização de testes clínicos de Fase 3 utilizando a vacina Ervebo. A avaliação em larga escala pretende testar a eficácia da fórmula já homologada contra a nova cepa.
De acordo com os analistas da OMS, há um volume consistente de dados que atestam a segurança do imunizante, viabilizando a ampliação dos ensaios em milhares de pessoas.
Reserva mundial disponibiliza 500 mil doses para o país
Para viabilizar as pesquisas e apoiar o combate ao surto, a Gavi (Aliança Global para Vacinas e Imunização) anunciou que disponibilizará lotes da reserva estratégica internacional da Ervebo, produzida pela farmacêutica americana Merck.
A reserva conta com cerca de 500 mil doses, sendo que parte desse estoque já é mantida estrategicamente na própria RDC em razão da frequência com que novos surtos reaparecem no território.
1 de 9Irenge Biringanine Prince, líder da comunidade "U Report Goma", vestindo equipamento de proteção, conscientiza comerciantes ao lado de jovens membros do grupo "U Report Goma", que dão continuidade às atividades de conscientização no mercado Alanine utilizando megafones e discussões em grupos focais, como parte das medidas de prevenção e conscientização sobre o Ebola em Goma, em 29 de maio de 2026. |
2 de 9Um profissional de saúde (à direita) mede a temperatura de uma paciente (segunda à esquerda) com suspeita de Ebola enquanto ela é transportada de mototáxi para o Hospital de Rwampara, em Ituri, no leste da República Democrática do Congo, em 26 de maio de 2026. |
3 de 9Profissionais de saúde em um novo centro de tratamento de Ebola durante uma visita de Tedros Adhanom Ghebreyesus, Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), em Bunia, no nordeste da República Democrática do Congo, em 31 de maio de 2026. |
4 de 9Membros de uma equipe da Cruz Vermelha Congolesa carregam o caixão de uma mulher com suspeita de morte por doença causada pelo vírus Ebola durante seu sepultamento seguro em um cemitério em Bunia, em 7 de junho de 2026. Um surto de Ebola na República Democrática do Congo matou 2.011 pessoas de um total de 4.381 casos confirmados do vírus, informaram autoridades congolesas na terça-feira. |
5 de 9Um surto de Ebola na República Democrática do Congo matou 2.011 pessoas de um total de 4.381 casos confirmados do vírus, informaram autoridades congolesas na terça-feira. |
6 de 9O balanço mais recente da doença, que atingiu as regiões leste e nordeste do país — assoladas por conflitos —, aproxima-se dos números do surto de Ebola mais letal já registrado no país (entre 2018 e 2020), quando quase 2.300 pessoas morreram. |
7 de 9Voluntários vestem seus equipamentos de proteção individual antes de recolher o corpo de uma criança de 3 anos, com suspeita de morte por doença causada pelo vírus Ebola, em Bunia, em 11 de junho de 2026. Um surto de Ebola na República Democrática do Congo matou 2.011 pessoas de um total de 4.381 casos confirmados do vírus, informaram autoridades congolesas na terça-feira. |
8 de 9Vista geral do cemitério de Nyamurongo, localizado no bairro de Ndibakodu — um dos locais de sepultamento que têm recebido um grande número de vítimas da doença pelo vírus Ebola desde o início do surto —, em Bunia, província de Ituri, República Democrática do Congo, em 13 de junho de 2026. Um surto de Ebola na República Democrática do Congo causou a morte de 2.011 pessoas entre 4.381 casos confirmados do vírus, informaram autoridades congolesas na terça-feira. |
9 de 9Equipes da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho preparam o sepultamento, no cemitério de Mbiyo, do corpo de um quarto órfão que morreu em decorrência da doença pelo vírus Ebola em um orfanato em Bunia, na província de Ituri, em 19 de junho de 2026. |