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Epstein e Brasil: Novos arquivos citam Lula, Bolsonaro e Bannon
Departamento de Justiça dos EUA liberou 3 milhões de páginas sobre Jeffrey Epstein; documentos mencionam presidentes brasileiros e figuras globais

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos publicou, na sexta-feira, 30, o maior volume de documentos já liberado sobre o bilionário Jeffrey Epstein. O pacote inclui 3 milhões de páginas, 180 mil imagens e 2 mil vídeos, cumprindo uma determinação legal de transparência assinada no ano passado, embora a divulgação tenha ocorrido com seis semanas de atraso em relação ao prazo original.
Os arquivos detalham, de acordo com a BBC Brasil, o período de encarceramento de Epstein, relatórios psicológicos e registros sobre sua associada, Ghislaine Maxwell. Entre as revelações mais impactantes estão e-mails que reforçam a proximidade de Epstein com figuras de alto escalão, como Andrew Mountbatten-Windsor (ex-Duque de York), Bill Gates e políticos britânicos.
Conexões com o Brasil: Lula e Bolsonaro
As mensagens reveladas trazem menções diretas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu antecessor no Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro (PL) — atualmente preso —, inseridas no contexto das eleições brasileiras de 2018:
- Lula e Noam Chomsky: E-mails atribuídos a Epstein mencionam uma suposta ligação telefônica que o linguista Noam Chomsky teria intermediado entre Epstein e Lula, enquanto o petista estava preso em Curitiba. Em uma das mensagens, Epstein escreve: "Chomsky me ligou com Lula. Da prisão. Que mundo". Tanto o Palácio do Planalto quanto a esposa de Chomsky, Valéria, negaram veementemente que tal contato tenha ocorrido.
- Bolsonaro e Steve Bannon: O ex-presidente Jair Bolsonaro é citado em trocas de mensagens entre Epstein e o estrategista Steve Bannon. Epstein descreveu Bolsonaro como "the real deal" (o cara), enquanto Bannon afirmava a necessidade de manter seu apoio ao brasileiro "nos bastidores" para preservar sua influência.
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Elite internacional e figuras públicas
Os documentos também expõem detalhes sobre outros nomes conhecidos:
- Príncipe Andrew: Registros mostram convites de Epstein para apresentar o ex-duque a uma mulher russa de 26 anos e discutem jantares privados no Palácio de Buckingham. Imagens inéditas também foram anexadas aos arquivos.
- Bill Gates: E-mails sugerem que Epstein tentou chantagear ou difamar Gates, alegando que o cofundador da Microsoft teria contraído uma DST. A defesa de Gates classificou as alegações como "absurdas e completamente falsas", fruto do ressentimento de Epstein.
- Peter Mandelson: O lorde britânico, demitido do cargo de embaixador nos EUA em 2024 devido ao elo com Epstein, aparece em mensagens sobre um empréstimo de £ 10 mil feito pelo bilionário ao seu marido, o brasileiro Reinaldo Avila da Silva.
- Donald Trump: O presidente americano é mencionado centenas de vezes. Embora os arquivos incluam denúncias de abuso sexual recebidas pelo FBI, o Departamento de Justiça esclareceu que muitas são "infundadas" e foram enviadas anonimamente durante períodos eleitorais.
Apesar da relevância da liberação, parlamentares democratas e republicanos, nos Estados Unidos, questionam se o governo ainda retém cerca de 2 milhões de páginas sob sigilo. O vice-procurador-geral, Todd Blanche, afirmou que o processo de revisão está encerrado, mas a pressão por transparência total sobre os nomes de outros envolvidos permanece.
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