GOVERNO SOB PRESSÃO
Presidente diz que manifestantes terão de pagar por danos causados
Responsável pela mobilização de 17 de outubro, grupo convoca novos atos


O presidente da França, Emmanuel Macron , afirmou em pronunciamento na noite de domingo (18), após os protestos violentos que tomaram o país, que quem feriu danos ao patrimônio ou atos de vandalismo responderá com todo o rigor da lei.
“Aqueles que saquearam terão de arcar com os prejuízos”, disse Macron. “Aqueles que planejaram derrubar a República serão responsabilizados.”
Cenas de desordem nas principais capitais francesas rodaram o mundo após uma grande marcha contra a inflação, realizada no sábado (18). As manifestações de caráter antigovernamental, em grande parte, de forma importada. No entanto, os atos tiveram uma escalada e se transformaram em tumultos.
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A escalada da violência na França resultou no incêndio de uma prefeitura, saques a estabelecimentos comerciais e depredação de edifícios, marcados por duros embates entre grupos radicais e policiais em vários pontos do país.
Pressão sobre o presidente
A apenas seis meses do pleito presidencial, do qual Macron está fora, o rastro de destruição do fim de semana colocou o governo sob intensa pressão. A gestão atual dura críticas para evitar a prevenção de conflitos e ignorar as demandas apresentadas pelos manifestantes.
“O poder desertou por completo”, criticou o presidente do partido de ultradireita Reagrupamento Nacional (RN), Jordan Bardella, cuja candidata à presidência, Marine Le Pen, liderou as pesquisas.
Responsável pela mobilização de 17 de outubro, o movimento dos Coletes Amarelos já convocou novas manifestações programadas para o próximo sábado.
“Se há vândalos é porque há movimentos sociais e porque existe uma forma de manipulação do movimento social, que é organizada pelo governo”, lamentou o prefeito de Paris, o socialista Emmanuel Grégoire.
Onda de protestos mobiliza forças de segurança e autoridades francesas
Segundo o ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, mais de 2 mil pessoas foram detidas durante os protestos, enquanto o número de policiais feridos ultrapassou 600.
Em Limoges, sede da prefeitura, um prédio histórico com 143 anos, foi incendiado. Já em Marselha, manifestantes com os rostos cobertos e roupas pretas invadiram o prédio da prefeitura e provocaram danos ao patrimônio. Em Lyon, o posto de turismo municipal também foi alvo de um incêndio.
De acordo com a BFMTV, parlamentares e representantes de autoridades regionais ampliaram as críticas à estratégia de segurança pública imposta pelo governo.
Diante da situação, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, tem uma reunião prevista com os prefeitos de Paris, Lyon e Marselha, que pedem mais recursos para recuperar os locais danificados.
Neste domingo, a polícia voltou a usar gás lacrimogêneo na Place de la République, um dos pontos mais conhecidos de Paris. Dezenas de pessoas se concentraram no local após mobilizações nas redes sociais que incentivaram a continuidade dos protestos, informou a BFMTV.


