CRISE
Trump rejeita proposta iraniana para reabrir Estreito de Ormuz
Presidente dos EUA acusa regime de 'perder terreno' e avalia retomar ataques


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou formalmente a proposta apresentada pelo Irã para reabrir, no prazo de uma semana, o tráfego comercial no Estreito de Ormuz . A recusa frustra as tentativas diplomáticas de desmobilizar o bloqueio na via marítima estratégica, por onde transita um quinto do petróleo mundial.
"Querem chegar a um acordo para abrir o estreito imediatamente porque estão perdendo terreno de forma estrondosa", declarou o republicano, descartando os termos formulados por Teerã.
A iniciativa havia sido anunciada no dia anterior pelo chanceler iraniano, Abbas Araghchi, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
De acordo com o governo iraniano, o plano estabelecia um cronograma de sete dias para a liberação da navegação, contados a partir da validação do pacto por Washington.
O presidente do Irã, Masud Pezeshkian, afirmou que o texto fora elaborado em coordenação direta com o líder supremo, Mojtaba Khamenei, e que uma comissão de seis delegados havia sido investida de plenos poderes decisórios para selar a negociação.
"A escolha cabe agora a Washington", disse Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, em pronunciamento na ONU.
Tensão militar
A rejeição americana ocorre em um momento de desconfiança mútua acentuada. Na sexta-feira, Trump publicou em sua rede social, a Truth Social, um mapa da região renomeando a passagem para "Estreito Trump".
A hidrovia converteu-se no nó cego do conflito deflagrado no fim de fevereiro por bombardeios promovidos por EUA e Israel contra o Irã. Desde o início das ofensivas, o regime iraniano assumiu o controle militar do canal, enquanto as forças americanas responderam com um bloqueio naval aos portos do país persa.
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De acordo com informações apuradas pelo periódico The Wall Street Journal, assessores da Casa Branca já indicavam que o presidente tenderia a vetar o acordo por avaliar que Teerã descumpriria as contrapartidas exigidas.
O jornal informou ainda que o governo americano estuda retomar as incursões aéreas contra o território iraniano após as eleições legislativas de meio de mandato, em novembro.
Bombardeios
Os bombardeios diretos dos EUA em solo iraniano estão suspensos desde 1º de setembro, quando um ataque deixou cinco mortos e dezenas de feridos durante uma celebração de casamento no sudeste do país. Contudo, os confrontos envolvendo embarcações no estreito continuam.
A manutenção do conflito impõe custos políticos a Trump. Com a proximidade do pleito legislativo, o republicano enfrenta desgaste popular interno em razão da alta no preço dos combustíveis provocada pela crise no Oriente Médio.


