MÚSICA
Conservador, Netinho era bissexual e vivia sem sexo: "Fechadura me dava tesão"
Cantor morreu na manhã desta terça-feira, 13, após complicações de um câncer


O cantor baiano Netinho, que morreu nesta terça-feira, 13, aos 60 anos, colecionou uma série de polêmicas ao longo da vida, entre elas, declarações apoiando o conservadorismo e criticando a comunidade LGBTQIAPN+.
Paralelamente, o artista era bissexual assumido desde 2008, e declarou ter vivido um relacionamento de três anos com outro homem, cujo a identidade nunca foi revelada.
“Já tive experiência homossexual. Foi há algum tempo, foi interessante. Mas não foi com famoso. Não gosto de famoso [...] Sou anti-Netinho, sou contra essa coisa que cerca o personagem. Não chegamos a morar juntos, não dá certo. Tem que ser cada um no seu canto. O mundo caminha para o individualismo", declarou em entrevista à revista Quem.
Apesar do romance, Netinho destacava a preferência por mulheres. “Eu gosto de meninos e meninas, mas hoje gosto mais de meninas. Eu me considero bissexual. Essa relação com um homem foi uma experiência que ficou no passado, linda inclusive”, completou.
Na época da declaração, ele citou Deus, o que gerou uma série de críticas. "É a filosofia de que devemos passar por tudo na vida. Deus é energia, quando a gente morre é escuro total. Morreu, acabou. A oportunidade é agora. Não dá para deixar nada para depois”, ressaltou.
Cantor criticou Carnaval e LGBTs
Em contrapartida, em 2020, durante entrevista ao então deputado Eduardo Bolsonaro, veiculada no canal do Youtube do político, Netinho criticou LGBTs. Na época da entrevista, Jair Bolsonaro (pai de Eduardo) era presidente do Brasil, e o baiano se declarou "soldado" dele e cutucou a comunidade.
"Se esse pessoal LGBT não vivesse de acordo com o fiofó, porque eles vivem assim, pensando no fiofó, estariam hoje comandando o Brasil junto com o Jair, apoiando o Jair, ia ser maravilhoso. Mas eles foram doutrinados a enxergar a vida pela lente do fiofó", disparou.
No mesmo ano, Netinho voltou a criticar homossexuais, ao atacar o Carnaval de Salvador, afirmando que a festa “só é Sodoma e Gomorra”. Vale lembrar que a festa popular foi responsável impulsionar a carreira do artista nos anos 1990.
Segundo o cantor, os camarotes são "inundados de drogas" e Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). "As famílias que têm filhos adolescentes não querem mais levar para a Bahia. Vai ver homem se beijando com homem, abaixando o short no meio da rua para o pessoal do camarote assistir", citou o músico.
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Netinho vivia sem sexo desde 2016
Ainda em 2020, durante entrevista ao então deputado Eduardo Bolsonaro, Netinho afirmou que vivia um celibato de quatro anos. Segundo ele, a decisão ocorreu para controlar um suposto vício sexual.
"Em 2016, por ter a cabeça modificada e entendido essa situação toda, decidi me abster de sexo, não faço mais [...] Não podia ver um buraco de fechadura que me dava tesão”, contou.
Posteriormente, o cantor não deu declarações públicas sobre o celibato, então não há informações sobre a continuidade da prática nos anos seguintes.
Morte de Netinho
Um dos nomes mais emblemáticos da música baiana, o cantor Netinho faleceu nesta terça-feira, 13, aos 60 anos, em Salvador.
O artista foi diagnosticado com câncer no sistema linfático em março de 2025. Ele estava internado no Hospital Aliança Star, em Salvador, e desde então, vinha atualizando os fãs sobre a sua saúde, através das suas redes sociais. Em junho, se disse "curado" da doença, mas seguiu realizando sessões de quimioterapia.


