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O passe livre no sertão da energia

Publicado segunda-feira, 15 de julho de 2013 às 10:59 h | Atualizado em 15/07/2013, 10:59 | Autor: Clementino Heitor de Carvalho
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O rastilho de cidadania, que acendeu a indignação dos brasileiros insatisfeitos com o governo que temos e a oposição que nos falta, atinge os municípios situados no entorno das usinas da Companhia Hidrelétrica do São Francisco. Um complexo econômico e social formado por 30 municípios, neste quadrilátero exemplar de submissão aos executivos federal e estaduais, com seu DNA chesfiano delimitando a geografia do atraso, no espaço político onde o verbo mais conjugado é aderir. E a cobrança aos seus representantes no Senado, na Câmara Federal e nas Assembleias Legislativas, zero.

Paulo Afonso puxa o cordão do sistemático torpedeamento de projetos industriais, que mudariam o seu perfil de cidade dos aposentados da Chesf. É um dado revelador, exibido em episódios como os das fábricas de postes, de cimento, de alumínio e de cerveja, de chão transferido para outras cidades. Mas esse comportamento acomodatício é extensivo aos demais municípios. Todos eles, incluindo Paulo Afonso, chegaram a ser reunidos no Fórum Permanente para o Desenvolvimento Regional, iniciativa da administradora da Chesf, Diana Suassuna, com o apoio da Sudene e Banco do Nordeste.

Do Fórum, hoje desativado, saiu o Instituto de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico de Xingó, no governo FHC, para ser a matriz renovadora do semiárido nordestino, através de ações viabilizadoras da convivência com a seca, assegurada por sistema produtivo com suporte em plantios e criatórios compatíveis com o clima e solos do Nordeste.

Vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, foi desmantelado no governo Lula, pelo então ministro Eduardo Campos, ao entregá-lo, para uso eleitoral, ao afilhado Gilberto Rodrigues, de Garanhuns. Seus desmandos levaram o Ministério Publico Federal a impetrar uma ação de improbidade administrativa, diante da prática de diversas irregularidades relativas ao convênio firmado, em 2005, com a extinta Adene.

Para reativar o Instituto Xingó, com a palavra os jovens do sertão da energia.

* Clementino Heitor de Carvalho é jornalista

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