OPINIÃO
Riscos digitais
Brasil registra 249,3 bilhões de ataques cibernéticos em seis meses


Os números impressionam e preocupam, conforme mostrou reportagem d’A TARDE: o Brasil registrou 249,3 bilhões de ataques cibernéticos contra empresas no primeiro semestre deste ano, superando o volume total contabilizado em todo o ano de 2025.
Os dados, constantes do relatório Cenário Global de Ameaças, da Fortinet, revelam, para além do avanço da criminalidade digital, uma aceleração sem precedentes na exposição de empresas brasileiras a ameaças digitais, e a fragilidade de sistemas, processos e comportamentos diante de temível cenário.
O crescimento de 44%, no mesmo período, nas varreduras ativas – quando criminosos sondam sistemas em busca de brechas – evidencia um fato por ora irrefutável: a inovação é um atributo dos bandoleiros da internet.
Com o uso crescente da inteligência artificial, fraudes, golpes e invasões se sofisticaram, dificultando a identificação de ameaças até por usuários experientes. Com criminosos encontrando novas formas de invadir sistemas a cada minuto e sendo difíceis de rastrear, o Brasil enfrenta o desafio crescente de proteger dados, operações e a confiança digital, em condições cada vez mais hostis.
Cabe aos cidadãos e órgãos controladores exigir das empresas que adotem mecanismos de segurança proporcionais aos riscos
O ambiente digital, capaz de trazer tantos benefícios para a economia e para a sociedade, produz em contrapartida um mundo mais inseguro.
Quem se ilude com a neutralidade da tecnologia está semeando adversidades para colher desalento, pois são também pessoas humanas sofisticaram, dificultando a identificação de ameaças até por usuários experientes.
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Com criminosos encontrando novas formas de invadir sistemas a cada minuto e sendo difíceis de rastrear, o Brasil enfrenta o desafio crescente de proteger dados, operações e a confiança digital, em condições cada vez mais hostis.
O ambiente digital, capaz de trazer tantos benefícios para a economia e para a sociedade, produz em contrapartida um mundo mais inseguro. Quem se ilude com a neutralidade da tecnologia está semeando adversidades para colher desalento, pois são também pessoas humanas utilizando-se das máquinas.
O Brasil dispõe de um arcabouço consistente de leis sobre proteção e segurança cibernética. O problema, conforme apontam especialistas da área, reside na calibragem e na capacidade de aplicação desse conjunto de normas jurídicas.
Cabe aos cidadãos e órgãos controladores exigir das empresas que implementem mecanismos de segurança proporcionais aos riscos digitais que geram.
O caminho precisa combinar regulação estatal, governança corporativa e pressão de mercado, considerando que quanto maior o dano aos clientes ou à sociedade, mais rígidos devem ser as ferramentas de controle.


