DECISÃO JUDICIAL
Advogada investigada por desviar quase R$ 50 mil de idosa tem prisão preventiva decretada.
Jéssica foi presa durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na própria casa


A advogada Jéssica Cabral Barradas, de 35 anos, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça do Rio de Janeiro neste sábado, 3. Ela é investigada por supostos desvios de dinheiro e bens de uma idosa, de quem foi curadora judicial e que morreu em 2019.
Jéssica havia sido presa na sexta-feira, 2, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na casa dela, no Cacuia, na Ilha do Governador. A ação foi realizada por policiais da 37ª DP (Ilha do Governador).
Durante as buscas, os agentes apreenderam documentos originais da idosa, entre eles a carteira de identidade e a certidão de óbito.
Segundo o processo, o filho da mulher teria solicitado os documentos diversas vezes à advogada, mas não conseguiu recuperá-los e precisou emitir uma segunda via da certidão para resolver uma questão relacionada a um seguro.
Também foram encontrados:
- joias;
- relógio;
- acessórios;
- um conjunto de talheres dourados.
A polícia ainda investiga se os objetos faziam parte do patrimônio da idosa.
Outro ponto que chamou a atenção durante a operação foi a localização do celular da advogada. Conforme o registro policial, o aparelho foi encontrado dentro do ralo do banheiro depois de mais de uma hora de buscas no imóvel.
Decisão judicial
Ao converter o flagrante em prisão preventiva, o juiz considerou que a liberdade da investigada poderia representar risco de novos crimes e de interferência nas investigações. A decisão também cita a relação de proximidade de Jéssica com a família da idosa e a existência de outro inquérito que apura uma suposta coação.
A defesa pediu que a prisão fosse anulada ou que Jéssica respondesse em liberdade, mas os pedidos foram negados. A Justiça também entendeu que outras medidas cautelares não seriam suficientes.
Suspeita de desvios
A advogada já responde a uma ação penal por supostos desvios de recursos da idosa durante o período em que atuou como curadora judicial.
De acordo com denúncia do Ministério Público, uma análise financeira identificou 35 transferências para a conta de Jéssica desde 2017, que somaram R$ 49.485. Parte dessas movimentações, porém, está prescrita.
No período considerado na acusação, R$ 20.020 teriam sido transferidos da conta da idosa para a advogada entre outubro de 2018 e maio de 2019.
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O Ministério Público aponta ainda que, seis dias após a morte da mulher, Jéssica teria retirado R$ 6.720 do espólio por meio de saque e transferência para a própria conta. Já em 2020, outros R$ 5.802,05 referentes à restituição do Imposto de Renda da idosa teriam sido apropriados.
O MP pediu o bloqueio de R$ 32.542,05 das contas da advogada para eventual reparação dos danos. Ela responde no processo por apropriações de rendimentos de pessoa idosa, dois furtos qualificados e falsidade ideológica.
A investigação aponta ainda que Jéssica teria omitido do Ministério Público uma das fontes de renda da idosa durante a fiscalização da curatela. A mulher recebia pensão militar e benefício previdenciário, mas, segundo a denúncia, mesmo com as duas rendas, algumas despesas básicas deixaram de ser pagas.


