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MAIS UM ADIAMENTO

Caso Valdir Macário: júri é adiado pela sétima vez e defesa lamenta

Júri aconteceria nesta quinta-feira, 10

Alice Paulilo e Edvaldo Sales
Por Alice Paulilo e Edvaldo Sales
| Atualizada em
Júri aconteceria nesta quinta-feira, 10
Júri aconteceria nesta quinta-feira, 10 - Foto: Margarida Neide | Ag. A TARDE

Pela sétima vez, o júri popular dos dois responsáveis pela morte do cabeleireiro Valdir Macário, crime que chocou a capital baiana em 2016, foi adiado. O júri estava marcado para acontecer na manhã desta quinta-feira, 10, no Fórum Ruy Barbosa, no bairro de Nazaré, em Salvador.

A sessão iria julgar Edgar Santos da Silva, mandante do crime, e Patric Ribeiro Tupinambá, um dos executores.

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Ivan Jezler, advogado de Edgar, falou que, em razão do que acredita ser um quadro viral que se agravou durante a madrugada, precisou ser internado no Hospital Mater Dei, onde está no soro e realizando exames desde então.

“Em virtude dessa situação de saúde, não conseguirá comparecer à sessão do júri”, disse.

O advogado da família, Alonso Guimarães, lamentou o novo adiamento. “Infelizmente, pela sétima vez, o júri é adiado em razão de um pedido do advogado. Nós ficamos extremamente decepcionados porque há uma família desesperada por justiça e mais um adiamento aconteceu”, falou, em entrevista concedida ao portal A TARDE.

Guimarães afirmou que pediu “informalmente ao magistrado que oficie a Defensoria Pública da Bahia para que no próximo júri, se ele não puder fazer a defesa de Edgar, que a Defensoria Pública assuma e que possa fazer o júri”.

Segundo o advogado, toda uma família está buscando por justiça. “Vamos pedir ao magistrado que oficie também a Ordem dos Advogados da Bahia para acompanhar essa situação para que ele depois não alegue nulidade absoluta, porque o risco do júri acontecer hoje é justamente esse”, ressaltou.

“Se fizer o júri passando por cima dele, ele vai arguir a nulidade absoluta, vai ter que remarcar do mesmo jeito. A gente fica chateado e espero que o doutor Ivan, se estiver realmente doente, se recomponha e fique bem de saúde para que ele possa defender os interesses dos assassinos do Valdir Macário”, completou.

Alonso Guimarães, advogado da família (à esquerda)
Alonso Guimarães, advogado da família (à esquerda) - Foto: Alice Paulilo | Ag. A TARDE

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“Acusação sólida”

Antes do novo júri ser adiado, Alonso Guimarães afirmou que pretendia apresentar todos os recursos necessários para conseguir “clarear a mente dos jurados, para que eles compreendam a dinâmica dos fatos”.

“Foi um pai de família assassinado, um profissional brilhante reconhecido no Brasil e fora, que teve sua vida ceifada dentro do banheiro do seu próprio estabelecimento comercial por dois indivíduos, um portando um fuzil 556, o outro uma pistola .40”, relembrou.

A expectativa é que nós consigamos apresentar a acusação de uma forma sólida para que o Conselho decida pela condenação.

O profissional pontuou que existe a possibilidade de uma absolvição, “mas vamos trabalhar para manter essa condenação e dar o sentimento de justiça para essa família que vive desesperada para fechar esse ciclo, continuar sua vida, tendo a missão cumprida com a condenação dos dois assassinos”.

Família e amigos de Valdir Macário compareceram para o júri popular
Família e amigos de Valdir Macário compareceram para o júri popular - Foto: Alice Paulilo | Ag. A TARDE

Adiamentos

O julgamento dos acusados chegou a ser adiado outras seis vezes devido a sucessivos obstáculos processuais. Em uma das últimas ocasiões, o adiamento aconteceu porque Patric Ribeiro compareceu ao fórum sem advogado.

Ele teria informado que seus representantes haviam deixado o caso no dia 5 de agosto, véspera do julgamento.

Por causa disso, o julgamento de Edgar também foi adiado, já que eles respondem ao processo em conjunto. Segundo entendimento do Ministério Público do Estado (MP-BA), o júri deveria ser remarcado para que ambos fossem julgados simultaneamente.

Sem advogado, a assistência jurídica de Patric passou a ser feita pela Defensoria Pública.

Patric Ribeiro Tupinambá e Edgar Santos da Silva
Patric Ribeiro Tupinambá e Edgar Santos da Silva - Foto: Divulgação | SSP-BA

Relembre o crime

No dia 12 de novembro de 2016, dois homens executaram o cabeleireiro Valdir Macário a tiros, diante de funcionários e clientes dentro do estabelecimento da vítima, o Salão Valdir Cabeleireiro, localizado na Avenida Vasco da Gama, em Salvador.

Câmeras de segurança do local registraram o momento em que Patric e outro homem, ainda não identificado, chegam ao local enquanto Valdir está atendendo um cliente e, ao perceber a ação, corre para o banheiro na tentativa de se proteger.

Enquanto Patric rendia as pessoas no salão, o terceiro suspeito foi atrás de Valdir e executou o cabeleireiro com cerca de 20 tiros de pistola calibre .40.

Edgar Santos da Silva, também conhecido como ‘Chocolate’, ficou dentro do carro aguardando os comparsas.

Cabeleleiro Valdir Macário
Cabeleleiro Valdir Macário - Foto: Reprodução | Redes Sociais

Motivação

As investigações da Polícia Civil apontaram Edgar da Silva Santos como mandante do crime.

Em depoimento, ele confessou ao então diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado José Bezerra, que ordenou o assassinato por acreditar que Valdir acobertava o relacionamento entre seu irmão, Reginaldo Manoel da Silva, e sua esposa, Jucilene Alves dos Santos.

Ainda segundo as investigações, em 15 de outubro de 2016, um mês antes da execução de Valdir, Edgar havia pago cerca de R$ 20 mil para que homens matassem Reginaldo.

Ainda no depoimento, ‘Chocolate’ alegou sentir-se ameaçado após Valdir afirmar que a tentativa de homicídio sofrida por Reginaldo não ficaria impune.

Terceiro suspeito não identificado

A família de Valdir Macário segue em busca de respostas sobre a participação de um terceiro homem no crime. Ele aparece nas imagens das câmeras de segurança do estabelecimento aparece trajando calça escura, camisa rosa e boné vermelho.

“Gostaria de saber [quem é o outro suspeito que aparece nas imagens das câmaras de segurança ao lado de Patrick]. Também tenho o mesmo anseio de todos em saber. Porque se um [suspeito] fica lá embaixo e subiram dois, então, foram quantos?”, questiona a empreendedora Aldísia Macário, irmã de Valdir.

Investigação já foi encerrada

Ao portal A TARDE, a Polícia Civil da Bahia informou que o inquérito foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário em março de 2017.

A corporação ainda afirma que as investigações foram encerradas naquele momento em relação aos envolvidos identificados.

Desde então, o procedimento não teria retornado à Polícia Civil para a realização de novas diligências.

“Em relação ao caso de Valdir Macário, informamos que o Inquérito Policial foi remetido ao Poder Judiciário em 13 de março de 2017, após a conclusão das investigações sobre os envolvidos identificados à época. Desde então, o procedimento não retornou à Polícia Civil para novas diligências. Para mais informações a respeito das solicitações, sugerimos o contato com o Poder Judiciário”, diz a nota.

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