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WELLINGTON PACÍFICO

Dor, ameaças e luta: veja como seguiu filho após morte de Mãe Bernadete

Ialorixá e líder quilombola foi assassinada em agosto de 2023

Luiza Nascimento

Por Luiza Nascimento

24/02/2026 - 12:11 h | Atualizada em 24/02/2026 - 13:36

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Perder o único irmão e, seis anos depois, a mãe, ambos vítimas de assassinato: essa é a realidade de Wellington Pacífico, gestor cultural e liderança do Quilombo Pitanga de Palmares, que convive constantemente com a dor da perda e a luta por Justiça.

A morte de sua mãe, a ialorixá e líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, a Mãe Bernadete, foi de grande repercussão. Em 17 de agosto de 2023, a vítima foi assassinada com tiros no rosto, dentro da própria casa, em Simões Filho, Região Metropolitana de Salvador.

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No entanto, o pesadelo começou em 2017, quando Flávio Gabriel Pacifico dos Santos, o Binho do Quilombo, foi assassinado, no mesmo quilombo, em circunstâncias semelhantes.

Em entrevista ao Portal A TARDE, Wellington desabafou sobre a saudade dos familiares e definiu que os últimos nove anos têm sido complicados.

"Foi difícil de me adaptar com a perda de Binho, meu único irmão, e mãe é única. O buraco vai ficar lá pra sempre, infinito. Não tem como [se adaptar]. Perdi um irmão de forma brutal e a mãe da mesma forma. Não existe reparação pra esse dano. Esse buraco é infinito e vai permanecer", lamentou.

Em meio a dor da perda, Wellington se apega ao sentimento de Justiça para vingar os familiares e precisa lidar com percalços judiciais, como o ocorrido na manhã desta terça-feira, 24, quando o júri do caso de Mãe Bernadete foi adiado para 13 de abril. O pedido partiu da defesa, que alega não ter tido tempo de estudar o processo, pois assumiu o caso às vésperas da sessão.

"Embora seja um ato legal da defesa que pediu o tempo, foi frustrante para a família e para a comunidade que veio, porque a gente está há nove anos clamando por Justiça. Espero que dia 13 não haja mais surpresas e que eles sejam julgados e condenados pelo crime que cometeram", declarou.

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"O que eu tinha de mais valioso, tiraram de mim"

Diante dos dois fatos, Wellington tem recebido proteção do Estado desde que Mãe Bernadete morreu, o que ele considera de extrema importância pois garante que, se não fosse o apoio, ele também poderia ter sido assassinado.

"Eu agradeço aqui à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, Ministério de Direitos Humanos, através da ministra Macaé [Evaristo], agradeço à Polícia Militar do Estado da Bahia em nome do Comandante Magalhães e nosso tenente-coronel Hildegard [Dantas] que coordena a nossa segurança. Se eu não tenho esse aporte, e agradeço a Deus e a essas pessoas que eu acabei de dizer aqui, eu já estava morto", afirmou.

Desta forma, o líder quilombola afirma não ter receio de buscar por justiça. "Eu não tenho medo. O que eu tinha de mais valioso, tiraram de mim, que era minha mãe e meu irmão", continuou.

"Manter o legado vivo foi uma promessa que eu fiz a ela no caixão"

Em meio à adaptação o e ao processo judicial, Wellington assumiu o Quilombo Pitanga de Palmares e começou a liderar projetos em outras unidades quilombolas, para perpetuar o legado da ialorixá.

Além disso, ele tem trabalhado em projetos próprios para manter os saberes e história de Mãe Bernadete vivos.

"Eu estou mantendo isso e criando uma rede com as comunidades quilombolas para que isso não se acabe. E não vai se acabar. Fundamos o Instituto Mãe Bernadete, que está fazendo um trabalho lindo de reconstrução e de organização desse legado que minha mãe deixou. Quero manter esse legado vivo. Foi uma promessa que eu fiz a ela no caixão. Mesmo que eu tombe, vou continuar mantendo", garantiu o filho.

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| Foto: Conaq

"Políticos por trás disso tudo"

Flávio Gabriel Pacifico dos Santos, o Binho do Quilombo, foi assassinado em 2017, enquanto dirigia um carro, próximo a casa onde morava, a caminho de um sepultamento que ocorrera em Salvador.

Ele foi candidato a vereador de Simões Filho e era reconhecido na região pela militância em prol dos direitos humanos, especialmente acerca da comunidade quilombola.

Em paralelo ao trabalho na região, Mãe Bernadete dedicou os últimos anos de vida a cobrar que os responsáveis pelo assassinato do filho fossem punidos, o que não ocorreu até o momento.

Há um ano, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) determinou a soltura de Uillian Portugal Brito, suspeito de participação no crime. Analisando as duas situações, Wellington teme pelo arquivamento do caso do irmão.

"O de minha mãe foi na mesma proporção, praticamente o mesmo crime, e resolveu em três anos. E o de Binho, por que não resolveu?", questionou.

Apesar de não ter como provar, ele lida com suposições.

"Detentores do meio de produção e políticos por trás disso tudo isso aí. E acabou levando minha mãe também. E se não tem essa ajuda de vocês, esse aparato do Governo do Estado e do Governo Federal, eu seria o próximo, como eu já recebi ameaça", finalizou.

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| Foto: Luiza Nascimento

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Tags:

assassinato direitos humanos justiça Legado Cultural Quilombo Pitanga de Palmares segurança pública

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