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Mãe Bernatede: assassinato completa três anos e família cobra justiça na Bahia

Liderança quilombola foi morta com 25 tiros em agosto de 2023

Victoria Isabel
Por
Mãe Bernadete foi assassinada com 25 tiros
Mãe Bernadete foi assassinada com 25 tiros - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Três anos após o assassinato de Mãe Bernadete, a busca por justiça e a preservação da memória da liderança quilombola mobilizam familiares, amigos e entidades de defesa dos direitos humanos.

A ativista foi morta com 25 tiros, a maioria no rosto, dentro de casa, na comunidade de Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, em 17 de agosto de 2023.

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Para marcar a data, uma missa em homenagem a Mãe Bernadete será celebrada nesta segunda-feira, 17, às 9h, no Santuário do Senhor do Bonfim, em Salvador.

Família tenta transformar luto em luta

O neto de Bernadete, Wellington Pacífico, estava na casa da avó quando ela foi assassinada. Ele também perdeu o pai, Flávio Pacífico, o Binho, de 36 anos, assassinado em 2017.

“São feridas que não foram reparadas. Para a nossa comunidade, é uma dor perder minha avó, perder meu pai e ainda por cima viver, conviver com a impunidade de não haver justiça", disse em entrevista a Agência Brasil.

Wellington conta que a avó buscava justiça pela morte de Binho. Agora, ele tenta manter o legado da família e transformar as perdas em motivação para continuar a luta.

“Apesar dessa injustiça, a gente se esforça para motivar as boas memórias, semear novas expectativas e ressignificar tudo o que aconteceu”.

Ele também decidiu cursar Direito para atuar na defesa da família e das comunidades quilombolas.

“Tive minha família destruída, atravessada por tragédias, tendo que se reconstruir a cada dia. Essas vivências me fizeram ter outro olhar para o direito”.

Mãe Bernadete
Mãe Bernadete - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Dois condenados pela morte de Mãe Bernadete

Dois acusados pela morte da líder quilombola foram julgados em abril. Arielson da Conceição dos Santos, apontado como executor, foi condenado a mais de 40 anos de prisão. Marílio dos Santos, acusado de participar do planejamento do crime, recebeu pena de 29 anos e nove meses.

Outros três acusados aguardam julgamento, que, segundo estimativa da família, deve ocorrer em outubro. O processo tramita em segredo de Justiça e o Tribunal de Justiça da Bahia não confirmou a data.

“A gente espera que a justiça seja feita. Toda vez que falarmos da Mãe Bernadete, a gente tem que falar do Binho do Quilombo. Suspeitos foram presos e depois soltos. Eu diria até que há risco de vitimar outras lideranças.”

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Legado continua nas comunidades

A família também pretende promover um novo festival de cultura e arte quilombola. O projeto é liderado pelo filho de Bernadete, Jurandir Pacífico, que busca manter as iniciativas defendidas pela mãe.

Entre as ações estão festivais, cursos de artesanato e uma cozinha solidária. A família também procura parcerias e políticas públicas para fortalecer as comunidades quilombolas.

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assassinato mãe bernadete QUILOMBOLA

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