POLÍCIA
MP denuncia bicheiro e mais três por morte de advogado no Rio
Rodrigo Crespo foi morto a tiros no Centro do Rio, em 2024


O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e mais três pessoas por envolvimento no homicídio do advogado Rodrigo Crespo, morto a tiros no Centro do Rio, em 2024.
Entre os envolvidos está o policial militar da ativa Renato Franco Lopes, conhecido como Pitbull, lotado no 15º BPM. Ele foi preso na segunda-feira, 24. Já Adilsinho e Ryan Patrick Barboza de Oliveira estão presos desde o dia 20 de agosto. Rafael Ferreira Silva, conhecido como Cachoeira, ainda é considerado foragido pela Justiça.
Motivação do homicídio
De acordo com a denúncia do MP, Adilsinho, apontado como uma das principais lideranças da chamada “nova cúpula do jogo do bicho”, encomendou o assassinato do advogado por considerar que sua atuação representava risco aos seus interesses na exploração do mercado de apostas online, as bets.
À época do crime, de acordo com o Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, os chamados “contraventores” estavam se inteirando sobre a entrada no lucrativo mercado de bets, segmento em que Rodrigo Crespo manifestava interesse em investir.
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As investigações revelaram que ele, inclusive, já buscava financiadores para a implantação de empreendimento de grande porte, além de ter exposto a intenção de abrir um “sports bar” com máquinas semelhantes à caça-níqueis, universo historicamente dominado pelos bicheiros.
“Os elementos de investigação indicam que a escolha do local, do horário e do modo de execução não foi aleatória, havendo fortes indícios de que a organização buscou conferir ao crime caráter ostensivo e intimidatório, com o propósito de transmitir uma mensagem de poder e dissuasão a potenciais concorrentes ou a terceiros que viessem a contrariar seus interesses econômicos/criminosos”, descreve a denúncia.
Arquitetura do crime
O Ministério Público aponta ainda que Ryan vigiou a vítima nos dias anteriores ao homicídio, identificando os locais e horários favoráveis à execução. Os denunciados Renato e Rafael, por sua vez, forneceram apoio operacional e monitoraram Rodrigo até o momento do crime, permanecendo dentro do veículo utilizado pelo executor.
A análise de diversas evidências técnicas revelou que Renato e Rafael estiveram no local do homicídio, bem como em diversos pontos do trajeto percorrido pelo veículo empregado na fuga dos executores. A apuração constatou, inclusive, que os dois se deslocaram para a região onde está localizado o sítio utilizado por Rafael como esconderijo.
Adilsinho foi denunciado pelo crime de homicídio qualificado e deve ser mantido em presídio federal de segurança máxima pelo prazo de três anos. Além disso, o Juízo da 3ª Vara Criminal decretou a suspensão do exercício das funções públicas e do porte de arma do policial militar Renato Franco Lopes.


