POLÍCIA
Policiais militares são denunciados pela morte de jovens em Salvador
Perícia contradiz versão de PMs, os quais irão responder por homicídio qualificado por motivo torpe


Três policiais militares (PMs) foram denunciados pelo Ministério Público da Bahia (MPBA) pelas mortes de dois jovens em setembro de 2025, no bairro São Marcos, em Salvador. A denúncia foi oficializada na última quinta-feira, 10, e os policiais vão responder por homicídio qualificado por motivo torpe, sem chance de defesa das vítimas e com utilização de arma em uso restrito.
O MPBA pediu a conversão da prisão temporária dos PMs, Jamile Maiara Reis dos Santos, Arailton Climerio Ferreira Junior e Tiago Costa Oliveira, em prisão preventiva para que eles sejam levados a julgamento popular.
Os jovens foram identificados como Mateus Daniel Chagas da Silva e Kaique Reis Santos, de 16 anos à época, e a denúncia foi apresentada por promotores de Justiça do Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp). apontando uma execução sumária, sem qualquer chance dos dois jovens terem reagido à abordagem policial.
Os exames periciais e os depoimentos de testemunhas contradizem a versão apresentada pelos policiais militares de que teria ocorrido uma troca de tiros antes das mortes. Segundo os registros, não foram identificados indícios de confronto armado no local, nem evidências de que as vítimas tenham efetuado disparos.
Vítima teria sido morta após rendição
De acordo com as investigações, os policiais teriam ordenado que o adolescente corresse enquanto ele estava rendido e, na sequência, efetuado disparos contra a vítima.
Testemunhas relataram que Kaique Reis Santos havia saído para comprar pão quando encontrou os PMs, os quais procuravam supostos traficantes armados nas proximidades de um campo onde ocorria uma partida de futebol.
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Ao perceber os policiais armados, Kaique teria levantado as mãos e se virado de costas, indicando que estava se rendendo. Ainda assim, ele foi atingido por três disparos. Um deles acertou sua perna quando começou a correr, enquanto os outros dois foram efetuados em um beco, quando ele já estava ferido.
Segundo a denúncia, as vítimas já estavam mortas quando foram retiradas do local e chegaram sem vida ao hospital. Kaique teria sido carregado com um pano sobre o rosto, com a cabeça batendo nas escadas, antes de ser colocado dentro da viatura.


