POLÍTICA
ACB reúne empresários para discutir eleições e cobra resgate institucional no Brasil
Evento contou com palestra de Antônio Lavareda sobre o cenário eleitoral do Brasil e Bahia



A Associação Comercial da Bahia (ACB) reuniu empresários e lideranças, na noite desta segunda-feira, 21, em Salvador, para discutir o cenário político brasileiro às vésperas das eleições de 2026. O encontro integrou mais uma edição do “Diálogos que Transformam”.
O jantar aconteceu no Palacete Tirachapéu, na Rua Chile, no Centro Histórico da capital baiana, e teve como convidado o cientista político, sociólogo e doutor em Ciências Políticas Antônio Lavareda, sendo realizado em parceria com o LIDE Bahia e o portal Política Livre
À frente da ACB, Isabela Suarez destacou que o setor empresarial precisa estar preparado para diferentes desfechos eleitorais, mas defendeu que o próximo governo mantenha uma agenda considerada relevante para a atividade econômica.
"O empresariado, historicamente, sempre está preparado para qualquer resultado. É claro que a gente torce para que, eventualmente, quem ganhar essa disputa eleitoral adira a uma agenda empresarial importante, porque, afinal de contas, o empresariado consolidado, bem informado, saudável, impacta positivamente na sociedade."
Debate sobre o cenário eleitoral
A palestra de Lavareda teve como tema “O Brasil às vésperas das urnas: uma leitura do cenário político de 2026”. A proposta foi discutir os movimentos do eleitorado e os cenários político e eleitoral da Bahia e do país, a cerca de duas semanas do primeiro turno.
Leia Também:
Para Suarez, a realização de debates com especialistas é uma das formas encontradas pela entidade para acompanhar as transformações do ambiente político e econômico.
"Então, da nossa parte, o que a gente pode fazer é promover debates qualificados como esse, para que especialistas, como o doutor Antônio Lavareda, nos ajudem a interpretar os sinais do movimento da sociedade que estão sendo dados. Então, o empresário, por si só, é resiliente. Principalmente o empresário que decide, a todo mundo que decide empreender no Brasil. Então, a gente não tem muita escolha, a gente tem que estar sempre preparado. Então, aguardemos o resultado a 15 dias. Eu acho que é o episódio mais importante da democracia brasileira para o ano 2026."
A presidente da ACB também ressaltou que as decisões tomadas no campo político podem produzir efeitos diretos sobre a atividade empresarial e sobre o comportamento da sociedade.
"Quem empreende não pode assistir a esse movimento de forma isolada. Afinal de contas, as decisões políticas impactam muito rápido o trabalho das empresas, interferem com a confiança, interferem com o crédito, interferem com o consumo e acabam interferindo na forma como a sociedade funciona e se comporta."
A edição desta segunda-feira dá continuidade a uma série de encontros promovidos pela Associação Comercial da Bahia para colocar empresários e especialistas em torno de discussões sobre os rumos do país.
Presidente da ACB cita crise institucional
Além do cenário eleitoral, Suarez também foi questionada sobre o ambiente institucional brasileiro. Ao comentar o assunto, afirmou que cabe ao Judiciário analisar os processos em andamento e defendeu uma recuperação da qualidade das instituições.
"Veja bem, em relação a esse assunto, eu deixo que o Judiciário resolva que, afinal de contas, os processos estão acontecendo e cabe ao Judiciário imputar ou não uma espécie de culpabilidade. Em relação a essa crise institucional, eu acho que ela é urgente. A gente precisa cada vez mais, e de forma mais rápida, fazer um resgate da qualidade institucional do Brasil, porque, afinal de contas, não há democracia que se sustente se as nossas instituições são fragilizadas."
Na avaliação apresentada pela presidente da entidade, o ambiente institucional também produz reflexos sobre a atividade econômica, especialmente para o empresariado baiano.
"Então, na medida em que tudo isso acontece, existe uma fragilidade das instituições, principalmente no Supremo Tribunal Federal, que avaliza a nossa Constituição. Isso impacta na vida de todo mundo e, consequentemente, impacta na vida do empresariado baiano. Então, eu torço para que esse resgate institucional, que sempre foi uma marca do Brasil, as instituições do Brasil sempre foram sólidas, consistentes e democráticas, aconteça de forma bastante rápida."
Defesa da democracia
Também presente no encontro, Raul Monteiro, do Política Livre, destacou a necessidade de preservar as instituições democráticas e apresentou uma reflexão sobre o papel da democracia diante dos conflitos da sociedade.
"Defender a democracia e as instituições que construíram ao longo do tempo para sustentá-la. Para isso, é preciso baixar as expectativas e indivíduos entenderem que a democracia não é um regime pelo qual a gente consegue escolher governos certos, e sim um regime para superar problemas, obstáculos e conflitos de forma pacífica, permitindo assim que a sociedade evolua em um fluxo racional e contínuo."


