POLÍTICA
Bahia rompe ciclo de 2022 e volta a decidir uma eleição no primeiro turno
Após segundo turno histórico em 2022, Bahia volta a escolher governador de primeira



O eleitorado baiano voltou a definir a disputa pelo governo do estado já no primeiro turno. O governador Jerônimo Rodrigues (PT), candidato à reeleição, foi reconduzido ao Palácio de Ondina com 4.596.886 votos votos, correspondentes a 55,73% dos votos válidos, e encerrou uma sequência iniciada em 2022, quando a Bahia precisou de uma segunda votação para escolher o governador.
A vitória também representa uma mudança em relação ao primeiro turno de quatro anos atrás. Em 2022, Jerônimo terminou a primeira etapa com 49,45% dos votos, ou 4.019.830 votos, enquanto ACM Neto (União Brasil) alcançou 40,80%, com 3.316.711. A disputa seguiu para o segundo turno, quando o petista foi eleito com 52,79%.
Agora, quatro anos depois, Jerônimo conseguiu ultrapassar a marca necessária para liquidar a eleição na primeira votação e recoloca a Bahia em um cenário que havia predominado nas eleições estaduais desde o início dos anos 2000.
Mobilização nos municípios foi parte central da campanha
A campanha de reeleição chegou à reta final apoiada por uma estrutura política espalhada pelos municípios baianos. Em 19 de setembro, Jerônimo reuniu mais de 300 prefeitos aliados em um hotel de Salvador para alinhar estratégias e reforçar a mobilização nos municípios.
Segundo o coordenador da campanha, Adolpho Loyola, a base do governador reunia mais de 300 prefeitos distribuídos pelos 27 territórios de identidade da Bahia. O encontro contou ainda com Geraldo Júnior (MDB), Rui Costa (PT), Jaques Wagner (PT), Otto Alencar (PSD) e representantes dos oito partidos que compunham a base.
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A orientação passada aos gestores municipais foi de intensificar a mobilização política em suas cidades. A estratégia também envolveu a defesa do voto casado e da parceria entre Jerônimo e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Durante o encontro, Jerônimo destacou a articulação entre governo estadual, prefeituras e governo federal. O governador também afirmou que a campanha tinha uma dimensão coletiva e agradeceu a presença dos prefeitos.
A mobilização ganhou as ruas durante a reta final. Depois de um comício em Irecê, que reuniu cerca de 20 mil pessoas na Praça do Feijão, Brumado recebeu outro encontro do chamado Time de Lula na Bahia.
Para as lideranças municipais, a relação construída com o governo estadual foi um dos elementos apresentados ao eleitorado durante a campanha. A prefeita de Aporá, Carine de Ataíde (Avante), afirmou que a parceria com Jerônimo não estaria restrita ao período eleitoral.
Da disputa apertada à virada nas pesquisas
O caminho percorrido por Jerônimo ao longo de setembro também marcou a campanha. Na primeira pesquisa AtlasIntel/A TARDE do mês, divulgada em 3 de setembro, ACM Neto aparecia numericamente à frente no cenário de primeiro turno, com 48,8%, contra 47,5% de Jerônimo. A diferença estava dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Na segunda rodada, divulgada em 30 de setembro, o cenário havia mudado. Jerônimo passou à liderança, com 50,7% dos votos válidos, contra 47,5% de ACM Neto. No total de intenções de voto, o petista tinha 49%, enquanto o adversário registrava 45,9%. O levantamento ouviu 2 mil eleitores entre 24 e 28 de setembro.
A trajetória abriu espaço para uma comparação com 2022. Naquele ano, a série histórica da AtlasIntel também registrou uma mudança de posição de Jerônimo ao longo da campanha. O petista começou atrás de ACM Neto, reduziu a diferença e posteriormente passou a liderar os levantamentos do instituto.
Na última rodada da pesquisa AtlasIntel/A TARDE, divulgada no sábado, 3, indicava a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) no primeiro turno na eleição de domingo, 4. Na sondagem, o candidato aparece com 51.5% das intenções de voto.
O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), tendo 47.4% da preferência dos eleitores baianos.
O resultado das urnas, porém, levou a trajetória das pesquisas para além da disputa apertada registrada no início de setembro.
Bahia passou décadas sem segundo turno
A eleição de 2026 também recoloca a Bahia no padrão que marcou a maior parte das disputas recentes pelo governo estadual.
- Em 2002, Paulo Souto (PFL) venceu no primeiro turno, com 2.871.025 votos, equivalentes a 53,69%.
- Quatro anos depois, em 2006, Jaques Wagner (PT) também foi eleito na primeira votação, com 3.242.336 votos, ou 52,89%.
- Em 2010, Wagner foi reeleito no primeiro turno, com 4.100.848 votos e 63,83%.
- Já em 2014, Rui Costa (PT) chegou ao governo na primeira etapa, com 3.558.975 votos, correspondentes a 54,53%.
- Em 2018, Rui foi novamente reeleito no primeiro turno, desta vez com 5.096.062 votos, ou 75,50%.
A sequência foi interrompida em 2022, quando Jerônimo e ACM Neto protagonizaram uma disputa que precisou de uma segunda votação. O petista terminou o primeiro turno com 49,45%, contra 40,80% do adversário, e posteriormente foi eleito com 52,79%.
Antes de 2022, outro episódio semelhante havia ocorrido em 1994. Naquele ano, Paulo Souto venceu o segundo turno contra João Durval Carneiro. Souto recebeu 2.235.659 votos, ou 58,64%, enquanto Durval teve 1.577.043, equivalentes a 41,36%.
Assim, considerando a série histórica apresentada, 1994 e 2022 foram as duas únicas eleições para o governo da Bahia encerradas em segundo turno. Em 2026, a vitória de Jerônimo no primeiro turno recoloca a disputa estadual no modelo que predominou nas eleições baianas desde 2002.
Quatro anos depois, um cenário diferente
A comparação entre 2022 e 2026 passa, portanto, por dois momentos distintos da trajetória de Jerônimo. Na primeira eleição, o petista precisou superar a barreira do primeiro turno e, depois, vencer novamente a disputa contra ACM Neto.
Na reeleição, a campanha chegou às urnas com uma base municipal ampliada, uma estrutura política mobilizada nos 27 territórios de identidade e uma evolução nas pesquisas ao longo de setembro.


