DELIBERAÇÃO
Conselho forma maioria e mantém Gonet no caso Banco Master
Por maioria, Conselho rejeita afastamento de PGR nas apurações



O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) formou maioria nesta sexta-feira, 25, contra o afastamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, das investigações relacionadas ao Banco Master.
Apesar do resultado favorável à permanência do PGR nas apurações, o colegiado registrou divergências internas em relação à necessidade de aprofundar a coleta de elementos sobre o caso.
A análise no julgamento apresenta dois cenários distintos. Até o momento, seis conselheiros votaram contra o afastamento do procurador-geral da República (PGR).
Em relação ao segundo ponto em discussão, que trata do aprofundamento da apuração envolvendo Gonet, a decisão segue sem definição. Os votos estão divididos em 3 a 3.
Órgão de cúpula da instituição, o CSMPF conta com dez membros. Sem a participação de Gonet por impedimento, a deliberação ficou a cargo dos outros nove conselheiros.
Sem indícios de crime
O relator do procedimento, conselheiro Sanseverino, votou contra o afastamento e indeferiu a abertura de apuração criminal por ausência de elementos mínimos de autoria e materialidade. Ele pontuou que menções ao nome do PGR em conversas de terceiros não justificam uma apuração penal sem um contexto sólido.
“Não se pode examinar frases ou troca de mensagens de forma isolada e/ou descontextualizada para não criar uma situação artificial e que não corresponda à realidade dos fatos”, ressaltou o relator em seu parecer.
Sanseverino reforçou que o início de qualquer apuração exige suporte probatório mínimo. Segundo ele, a postura do PGR observou “os princípios da legalidade, da utilidade e eficiência da persecução penal, bem como respeitou o princípio da independência funcional”.
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Diálogos indiretos
A perícia da Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro não identificou contatos salvos no nome de Gonet nem registros de diálogos diretos entre ambos. As referências ao chefe do MPF apareciam em conversas de Vorcaro com o advogado Ciro Soares — fator que, para o relator, enfraquece a tese de "amizade íntima".
A respeito de um encontro citado entre Gonet e Vorcaro em Londres, em abril de 2024, o voto assinala que se tratou de um episódio “isolado” e “superficial”, em espaço social e diante de terceiros.
O parecer concluiu que eventuais tentativas do empresário de estabelecer aproximação não encontraram respaldo prático. Em julho de 2025, ao tomar conhecimento das suspeitas envolvendo a instituição financeira, Gonet adotou providências para reforçar o suporte institucional aos procuradores que conduzem o caso no Distrito Federal e em São Paulo.
Abertura de investigação
Pela manhã, o subprocurador-geral da República Francisco Sanseverino votou nesta sexta-feira, 25, contra a abertura de uma investigação sobre a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, nos processos ligados ao Banco Master e sobre a suposta proximidade dele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Sanseverino é o relator do processo, que está em análise no Conselho Superior do Ministério Público Federal.
Além de rejeitar a abertura da investigação, ele também votou contra os pedidos para declarar Paulo Gonet impedido ou suspeito de atuar no caso relacionado ao Banco Master.
Ao analisar o pedido de investigação, Sanseverino afirmou que não existem, neste momento, indícios mínimos que justifiquem a abertura de uma apuração contra Gonet.
“Voto pelo indeferimento do pedido de designação de subprocurador-geral da República para conhecer a documentação antes mencionada. É necessário existir elementos mínimos de materialidade de autoria dos fatos", afirmou.


