DELIBERAÇÃO
Conselho do MPF forma maioria e mantém Gonet no caso Banco Master
Conselheiros também arquivaram pedido para investigar o procurador-geral



O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) formou maioria nesta sexta-feira, 25, contra o afastamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, das investigações relacionadas ao Banco Master.
Na mesma sessão, o conselho também decidiu arquivar um pedido de aprofundamento de investigações contra Gonet pela relação dele com o banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão foi proferida após 5 votos favoráveis ao arquivamento a 4 votos contrários.
O CSMPF é o órgão de cúpula do Ministério Público Federal e conta com dez membros. Como Gonet está impedido de participar da análise, os votos são dados pelos outros nove conselheiros.
Sem indícios de crime
O relator do caso, conselheiro Francisco Sanseverino, votou contra o afastamento e indeferiu a abertura de apuração criminal por ausência de elementos mínimos de autoria e materialidade. Ele pontuou que menções ao nome do PGR em conversas de terceiros não justificam uma apuração penal sem um contexto sólido.
“Não se pode examinar frases ou troca de mensagens de forma isolada e/ou descontextualizada para não criar uma situação artificial e que não corresponda à realidade dos fatos”, ressaltou o relator no parecer.
Sanseverino reforçou ainda que o início de qualquer apuração exige suporte probatório mínimo. Segundo ele, a postura do PGR observou “os princípios da legalidade, da utilidade e eficiência da persecução penal, bem como respeitou o princípio da independência funcional”.
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Diálogos indiretos
A perícia da Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro não identificou contatos salvos no nome de Gonet nem registros de diálogos diretos entre ambos. As referências ao chefe do MPF apareciam em conversas de Vorcaro com o advogado Ciro Soares — fator que, para o relator, enfraquece a tese de "amizade íntima".
A respeito de um encontro citado entre Gonet e Vorcaro em Londres, em abril de 2024, o voto assinala que se tratou de um episódio “isolado” e “superficial”, em espaço social e diante de terceiros.
O parecer concluiu que eventuais tentativas do empresário de estabelecer aproximação não encontraram respaldo prático. Em julho de 2025, ao tomar conhecimento das suspeitas envolvendo a instituição financeira, Gonet adotou providências para reforçar o suporte institucional aos procuradores que conduzem o caso no Distrito Federal e em São Paulo.


