ESCÂNDALOS
Escândalo de rachadinha e polêmicas marcam trajetória de Flávio Bolsonaro
Caso emergiu após a vitória do seu pai, Jair Bolsonaro, à presidência; relembre



A trajetória política deFlávio Bolsonaro (PL-RJ) tomou impulso em 2002, quando se elegeu deputado estadual no Rio de Janeiro aos 21 anos, impulsionado pela projeção do pai, que já cumpria mandatos no Congresso há mais de uma década.
Foi durante passagem pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) que se consolidou a estrutura investigada anos depois pelo Ministério Público (MP-RJ). O escândalo da rachadinha emergiu no fim de 2018, logo após a vitória de Jair Bolsonaro na eleição presencial.
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações atípicas na conta de Fabrício Queiroz, ex-chefe de gabinete de Flávio na Alerj.
Em 2020, o MP denunciou Queiroz como o operador da "rachadinha" — a prática ilegal de recolhimento compulsório de parte dos salários dos assessores para repasse ao parlamentar.
De acordo com o MP-RJ, 12 funcionários fantasmas receberam R$ 6,1 milhões à época. Deste montante, ao menos R$ 2 milhões ingressaram comprovadamente na conta de Queiroz e outros R$ 2 milhões foram movimentados em espécie.
Investigações
As investigações apontaram, à época, depósitos fracionados em dinheiro vivo nas contas de Flávio e da esposa, coincidentes com datas de vencimento de parcelas de imóveis adquiridos no Rio. Além disso, o ex-assessor quitou em espécie 169 boletos da escola das filhas e do plano de saúde do então deputado estadual, somando R$ 247 mil.
Em defesa, Queiroz admitiu o recolhimento das verbas, mas alegou que usava os valores para contratar colaboradores informais para o mandato, isentando o ex-chefe de responsabilidade.
Anulações nos tribunais superiores
Flávio Bolsonaro nega, em declarações à imprensa, qualquer irregularidade e classifica os episódios como perseguição política decorrente da ascensão nacional da família. Em declarações recentes, o senador argumenta que nunca respondeu criminalmente porque não houve a abertura formal de um processo contra ele.
O caso acabou paralisado no Judiciário sem julgamento do mérito. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou a quebra dos sigilos bancário e fiscal promovida pela 27ª Vara Criminal do Rio de Janeiro por falta de fundamentação jurídica.
Na sequência, o Supremo Tribunal Federal (STF) invalidou os relatórios do Coaf que embasavam a apuração, entendendo que o órgão de inteligência financeira não poderia emitir dados detalhados sem prévio procedimento investigatório formal.
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Homenagens e elos investigados
Além das movimentações financeiras, o histórico de Flávio na Alerj — marcado pelo discurso de combate à criminalidade — acumula controvérsias ligadas a condecorações concedidas a policiais militares posteriormente implicados em crimes graves.
Entre os homenageados está Adriano da Nóbrega, condecorado por Flávio em 2003 e 2005. Expulso da PM em 2014, Nóbrega foi apontado pelas autoridades como chefe do "Escritório do Crime", um grupo de extermínio atuante no Rio, e acabou morto em uma operação policial na Bahia em 2020.
Outro homenageado pelo gabinete foi Ronald Paulo Alves Pereira, mais tarde condenado por participação no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
No caso de Adriano da Nóbrega, a proximidade ultrapassou as medalhas: sua mãe, Raimunda Magalhães, e sua então esposa, Danielle Mendonça da Costa, figuraram na folha de pagamento do gabinete de Flávio até 2018. Mensagens obtidas pelos promotores revelaram Danielle demonstrando apreensão financeira a Nóbrega no dia da exoneração.
Flávio nega
Flávio sustenta que não conhecia o envolvimento dos agentes com o crime organizado à época das homenagens e justificou a manutenção das familiares no gabinete afirmando que elas desempenhavam um bom trabalho. O parlamentar reitera que não pode ser responsabilizado por desvios de conduta cometidos posteriormente por terceiros.
Aliados políticos saem em defesa do candidato, argumentando que acusações sem base fática são recorrentes contra figuras de alta projeção pública e atribuindo a intensificação das denúncias a estratégias de adversários em períodos de disputa eleitoral.


