PREOCUPAÇÃO
Dark Horse: caso aumenta temor em aliados de Flávio Bolsonaro com STF
Preocupação foi elevada após o ministro Flávio Dino citou a investigação sobre o filme



As decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e ações da Polícia Federal (PF) estão entre as principais preocupações dos aliados de Flávio Bolsonaro. Eles temem que o candidato do PL à Presidência seja atingido antes do primeiro turno pelas polêmicas.
A preocupação aumentou na quarta-feira, 9, depois que o ministro Flávio Dino citou a investigação sobre o filme ‘Dark Horse’, a cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL), ao determinar a volta de Andrei Rodrigues ao comando da PF.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, suspendeu, horas depois, a decisão de Dino e afirmou que caberá à presidência da Corte, posteriormente, avaliar a permanência de Andrei no cargo.
Pessoas próximas a Flávio Bolsonaro dizem que o receio envolve possíveis vazamentos, operações ou decisões relacionadas às investigações sobre a obra, mas não apenas em relação ao filme, segundo o Metrópoles.
O próprio candidato já vinha falando publicamente sobre a possibilidade de ser alvo de alguma medida antes da eleição.
Flávio afirmou, no ato de 7 de Setembro, na Avenida Paulista, que seus adversários tentariam dar uma “terceira facada” contra ele e seus aliados. Dias antes, o senador também havia levantado suspeitas sobre uma possível reação dentro do Supremo.
Além disso, em uma publicação nas redes sociais, Flávio afirmou, sem apresentar provas, que Alexandre de Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teriam conversado com Dino sobre alguma ação contra ele.
O candidato disse que a iniciativa teria como objetivo reagir às decisões de André Mendonça e desgastá-lo durante a campanha.
Mendonça é relator do caso Master e de uma das investigações sobre o Dark Horse. Foi ele quem determinou, na terça-feira, 8, o afastamento de Andrei do comando da PF.
O ministro, que foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro, tem recebido manifestações de apoio do bolsonarismo, em razão da crise enfrentada por ele contra Moraes.
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Preocupação voltou a crescer
O temor entre os aliados já existia desde a pré-campanha e voltou a crescer na quarta. Ao justificar a reintegração de Andrei, Flávio Dino citou investigações que poderiam ser prejudicadas pela troca na direção da corporação.
Entre elas está o inquérito, relatado pelo próprio ministro, que apura uma possível destinação irregular de emendas para a produtora responsável pelo Dark Horse.
Também na quarta, em outro desdobramento do caso, André Mendonça homologou a colaboração premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro.
Dono da Entre Investimentos e Participações, ele participou de transferências de dinheiro para o fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos e utilizado para custear gastos da produção.
À Procuradoria-Geral da República (PGR), Freixo afirmou que fez sete transferências ao fundo, que somaram US$ 12,3 milhões, cerca de R$ 69 milhões, a pedido do então dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Ele disse que não sabia que o dinheiro seria usado na produção do longa.
O que está sendo investigado sobre Dark Horse
Os repasses feitos por Daniel Vorcaro para financiar o filme a pedido de Flávio Bolsonaro estão sendo apurados pelos investigadores. Outro objetivo é desvendar se houve, por exemplo, alguma contrapartida pelo dinheiro. O senador nega.
Além disso, está na mira da Polícia Federal a possível utilização do dinheiro para financiar a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Já outra investigação mira emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à empresária Karina da Gama, sócia da Go Up Entertainment, produtora do filme. A PF apura se esses recursos públicos foram usados na obra.
Financiamento de Dark Horse
Em maio, a busca de Flávio por dinheiro para financiar o filme em homenagem ao pai se tornou pública. Áudios e mensagens apontam que o senador procurou Vorcaro para pedir recursos para o projeto.
O candidato à Presidência nega irregularidades e afirma que não administrava o dinheiro. Ele diz ainda que cabe à produtora Go Up Entertainment explicar os valores movimentados.
As investigações preocupam aliados em um momento em que Flávio aumentou os ataques a Alexandre de Moraes e passou a tentar associar o ministro ao presidente Lula (PT).
O candidato passou, desde a divulgação de mensagens entre Moraes e Vorcaro, a usar o caso nos ataques aos dois. No 7 de Setembro e em declarações posteriores, afirmou que votar em Lula seria também votar no ministro do Supremo.
Ademais, aliados acreditam que os ataques a Moraes podem ajudar Flávio a mobilizar eleitores bolsonaristas. Antes do ato na Avenida Paulista, integrantes da campanha reconheciam que o senador ainda não despertava entre os apoiadores o mesmo engajamento alcançado por Jair Bolsonaro.


