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Enquanto Argentina empobrece, Milei comemora resultado de Flávio no Brasil

Pobreza avança e chega a 9,7 milhões de argentinos

Luan Julião
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Enquanto reivindica influência sobre a eleição brasileira, presidente argentino vê pobreza chegar a 9,7 milhões de pessoas
Enquanto reivindica influência sobre a eleição brasileira, presidente argentino vê pobreza chegar a 9,7 milhões de pessoas - Foto: Nelson Almeida / AFP
Eleições 2026

Enquanto a pobreza avança na Argentina, Javier Milei encontrou tempo para comemorar o desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras. Em reunião de gabinete realizada na Casa Rosada na segunda-feira, 5, o presidente argentino teria atribuído a si parte do resultado obtido pelo candidato da extrema direita no Brasil.

Segundo Milei, Flávio estaria dez pontos atrás de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antes de o argentino manifestar publicamente seu apoio ao herdeiro político do bolsonarismo. No domingo, 4, porém, Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.

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A comemoração do presidente argentino ocorre apesar dos indicadores que expõem as dificuldades enfrentadas por sua própria população. Dados do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos apontam que a pobreza atingiu 32,3% dos argentinos no primeiro semestre de 2026. São 9,7 milhões de pessoas sem condições mínimas de subsistência.

A indigência também avançou e chegou a 7,5%, alcançando 2,2 milhões de argentinos.

Milei olha para o Brasil enquanto a Argentina empobrece

O contraste não termina nos indicadores sociais. A popularidade de Milei também está em baixa dentro do próprio país.

Levantamentos mostram que 58,1% dos argentinos desaprovam o governo “libertário”. Entre os setores de menor renda, a rejeição chega perto de 70%.

Uma pesquisa da consultoria Analogías ainda aponta uma situação particularmente incômoda para o presidente argentino: Lula é mais bem avaliado entre os eleitores da Argentina do que o próprio Milei. O brasileiro registra 58,5% de imagem positiva, enquanto o argentino aparece com 36,9%.

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A política econômica adotada por Milei também deixou marcas no mercado de trabalho e na atividade econômica. Cerca de 30 mil empresas foram fechadas, o desemprego chegou a 7,9% e a atividade econômica caiu 2,9% em julho.

Apoio a Flávio pode ganhar novo capítulo

Mesmo diante desse cenário, Milei se apresenta como uma espécie de personagem da disputa eleitoral brasileira. O presidente argentino prepara uma viagem a Washington, nos Estados Unidos, em 14 de outubro, apenas 11 dias antes do segundo turno brasileiro.

Na capital norte-americana, ele participará de uma gala conservadora ao lado de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio e articulador do candidato brasileiro. A agenda poderá ainda abrir espaço para um encontro entre Milei e o presidenciável.

Assim, enquanto os números de seu próprio governo mostram aumento da pobreza e da indigência, Milei dedica parte de sua atenção à tentativa de reivindicar influência sobre a campanha de Flávio no Brasil.

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Flávio Bolsonaro Milei política econômica

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