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Enquanto canal ligado a Lula enfrenta suspensão, ‘Tropa de Flávio’ divulga fake news

Grupo liderado por apoiadores de Flávio Bolsonaro dissemina conteúdos falsos sobre Lula

Luan Julião
Por
Conteúdos compartilhados pelo grupo incluem imagem falsa de ato na avenida Paulista
Conteúdos compartilhados pelo grupo incluem imagem falsa de ato na avenida Paulista - Foto: Reprodução / Redes Sociais
Eleições 2026

Criado para mobilizar apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, o grupo de WhatsApp “Tropa de Flávio”, impulsionado por apoiadores e políticos, passou a compartilhar conteúdos falsos, vídeos com informações distorcidas e publicações com ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A iniciativa foi apresentada com a seguinte mensagem: “Você que gosta de notícia de verdade não de fakenews”. Desde o início das atividades, porém, o grupo divulgou materiais que foram alvo de questionamentos judiciais e publicações que associam o presidente a acusações sem comprovação.

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Entre os conteúdos compartilhados está um vídeo do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, no qual ele fala em “vandalismo” durante um ato pró-Lula na avenida Paulista. A publicação utilizava uma imagem falsa de uma mulher supostamente usando drogas. Após a Justiça Eleitoral condenar a postagem, os administradores retiraram o material do grupo.

Outra publicação mostrou uma imagem produzida por inteligência artificial que simulava uma funcionária do Metrô de São Paulo limpando pichações após a manifestação.

Imagem ilustrativa da imagem Enquanto canal ligado a Lula enfrenta suspensão, ‘Tropa de Flávio’ divulga fake news
Foto: Reprodução / Redes Sociais

O grupo também compartilhou uma publicação da revista Veja com acusações sem provas que relacionavam Lula ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraude bancária.

Vídeos são compartilhados sem autorização e com ataques pessoais

A circulação de conteúdos no grupo também atingiu a profissional de audiovisual Carolina Fonseca, de Minas Gerais. Após ser assaltada enquanto cobria um ato pró-Lula em Belo Horizonte, ela teve um vídeo republicado sem autorização pelos administradores.

Nas redes sociais, Carolina afirmou que a divulgação ocorreu sem seu consentimento. Ela também relatou ter recebido ofensas e mensagens que insinuavam que merecia ter sido roubada.

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Além dessas publicações, o grupo compartilha diariamente vídeos com cortes de falas de Lula que, segundo o texto original, procuram apresentá-lo como favorável a traficantes de drogas. Também voltou a circular uma notícia falsa divulgada em 2022 sobre um suposto apoio de Marcola, apontado como chefe do PCC, ao petista.

Às vésperas do feriado de Nossa Senhora Aparecida, os participantes receberam ainda vídeos que distorciam declarações de Lula sobre religião.

‘Exército do Lula’ enfrenta suspensão determinada pelo TSE

Enquanto a “Tropa de Flávio” continuou funcionando desde 6 de outubro, o canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), teve suas atividades interrompidas por decisões da Justiça Eleitoral.

No domingo, 11, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do canal após um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que acusou a iniciativa de promover desinformação. Ainda naquele dia, o corregedor do tribunal, Ricardo Villas Bôas Cueva, derrubou a decisão.

Na terça-feira, 13, Nunes Marques voltou a determinar a interrupção do canal. O ministro apontou o uso irregular da ferramenta, que deveria ter registro formal no TSE.

A campanha de Lula providenciou a regularização do endereço eletrônico do canal junto ao tribunal. Com o registro, as exigências determinadas pelo ministro foram consideradas atendidas, mas a retomada das atividades permaneceu condicionada ao cumprimento do prazo de 48 horas.

A decisão de não liberar imediatamente o canal foi fundamentada por Nunes Marques em uma resolução do próprio TSE. O PT recorreu da determinação referente ao prazo de suspensão.

Com a regularização reconhecida nesta terça-feira, o “Exército do Lula” poderá voltar a enviar atualizações e receber novos seguidores após o período estabelecido pela Justiça Eleitoral. O restabelecimento também depende do cumprimento das regras eleitorais que exigem a identificação do responsável pela propaganda.

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