CRIME ELEITORAL
Ex-prefeito é suspeito de compra de votos com maços de dinheiro
Vídeo mostra ex-gestor de Nordestina com material de campanha durante o último pleito



Uma denúncia de suposta compra de votos agitou o cenário político da cidade de Nordestina, região sisaleira da Bahia. As acusações colocam sob suspeita o grupo político da atual prefeita, Eliete de Andrade Araújo (PSD), após a circulação de conteúdos audiovisuais gravados por moradores no distrito do Mari.
Nas imagens divulgadas por populares, o ex-prefeito Wilson Araújo Matos, conhecido como "Ito" — marido da prefeita e figura de grande influência na gestão municipal —, aparece entrando em residências acompanhado de um secretário da administração local.
Em momentos registrados pelo vídeo, a dupla porta santinhos de campanha e maços de dinheiro em espécie que, de acordo com as denúncias, estariam sendo utilizados para o aliciamento direto de eleitores.
Moradores da localidade afirmam que a prática de assédio e captação ilícita de sufrágio é um problema antigo na política do município. No entanto, o vazamento das imagens gerou forte repercussão na comunidade local e nas redes sociais, motivando cobranças por medidas imediatas das autoridades competentes.
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Exigência de apuração
Diante da gravidade dos registros, eleitores e lideranças políticas da oposição exigem uma atuação firme dos órgãos de fiscalização e controle. O objetivo é que o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), em conjunto com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Ministério Público Eleitoral (MPE), apure rigorosamente os fatos.
Caso a prática do crime eleitoral seja comprovada — o que configura infração à Lei nº 9.504/1997 e ao Código Eleitoral —, os envolvidos podem responder por captação ilícita de sufrágio e abuso de poder econômico.
As sanções previstas em lei incluem o pagamento de multa, a cassação do registro ou do diploma e a inelegibilidade dos responsáveis.
Combate a crimes eleitorais
O caso em Nordestina evidencia o impacto das tecnologias móveis e da vigilância cidadã no processo eleitoral contemporâneo. Com o acesso amplo a smartphones, qualquer cidadão torna-se um agente fiscalizador capaz de documentar e dar visibilidade a irregularidades no pleito.
A Justiça Eleitoral reforça que denúncias de captação ilícita de sufrágio, caixa dois ou qualquer outro tipo de crime eleitoral podem ser formalizadas de forma segura por meio dos canais oficiais, como o aplicativo Pardal, desenvolvido pelo TSE, ou diretamente junto às promotorias eleitorais da comarca.
A reportagem procurou o ex-prefeito Ito, por intermédio da Prefeitura de Nordestina, e ainda aguarda resposta aos questionamentos.


