NOS EUA
Flávio admite que não tem provas de fraude eleitoral: “Nem terei”
Ex-candidato à Presidência alegou que investigar o processo eleitoral é “proibido” no país



O senador e ex-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), admitiu que não possui provas de fraude eleitoral no pleito presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista concedida nesta sexta-feira, 6, em Miami, nos Estados Unidos, onde está instalado desde que deixou o Brasil, o parlamentar voltou a questionar o crescimento da votação de Lula entre o primeiro e o segundo turno
À Folha de S.Paulo, o senador declarou que, por não possuir provas e por considerar o tema inacessível a auditorias externas no país, a estratégia de sua equipe jurídica irá evitar criticar o funcionamento das urnas e consistirá em questionar as chamadas “bondades” e a utilização da máquina pública promovidas pelo governo federal ao longo da campanha.
“O que explica, em 21 dias, o Lula vencer ou aumentar a votação em todos os estados onde ganhamos a eleição para governador no primeiro turno, onde fizemos os dois senadores das duas vagas que estavam em disputa? Não tenho provas e nem terei, porque é proibido investigar esse assunto. A nossa parte jurídica vai ser que ele usou a máquina pública fora da lei”, declarou o senador.
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Prorrogação das urnas
Questionado sobre as alegações contra a decisão da Justiça Eleitoral de prorrogar o fechamento das urnas no dia do segundo turno, o senador foi lembrado de que apenas cerca de 34 mil votos foram registrados após o horário regular — volume insuficiente para alterar o resultado final.
Ainda assim, Flávio sustentou que eventuais inconsistências teriam ocorrido na apuração interna do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante o período estendido.
“A questão não é sobre os eleitores que foram às urnas nessas duas horas, foram um pouco mais de 34 mil. O problema é o que aconteceu dentro do TSE. Porque só quem tem acesso àquilo, os técnicos, tudo que eles falam vira verdade. Eles dizem para o presidente do TSE que não teve problema, ele repete isso para a imprensa. Agora, quem fiscaliza esses técnicos? [...] É impossível não ser manipulação de resultado. A gente nunca vai saber porque não deixam investigar”, argumentou.
Requerimento do PL
Interrogado sobre o fato de o próprio PL ter acionado a Justiça Eleitoral pedindo a extensão da votação em diversos estados, o ex-candidato afirmou que a medida foi uma reação estratégica ao pedido da coligação governista na Bahia.
“A minha defesa pede porque o PT tinha pedido a prorrogação da votação na Bahia, um estado onde ele [Lula] é, em tese, bem votado. Então nós raciocinamos o quê? Bom, já que está tendo um problema em outros estados, que são, em tese, mais à direita, vamos pedir também. Porque se der para um, vai ter que dar para outro. A nossa intenção é que não desse para ninguém, que as eleições acabassem às 17h”, alegou Flávio.


