POLÍTICA
Flávio Bolsonaro recua de carta, mas mantém suspeitas sobre eleição
Senador diz que mantém ressalvas sobre votação e citou interrupção do processo eleitoral



O senador Flávio Bolsonaro (PL) voltou a questionar o resultado das eleições presidenciais após a repercussão de uma carta divulgada na semana passada, na qual se apresentava como “presidente eleito do Brasil”.
Embora tenha afirmado que revisou o trecho do documento, o parlamentar manteve as desconfianças sobre o processo eleitoral e afirmou que houve acontecimentos que, na avaliação dele, levantam dúvidas sobre a votação.
Em entrevista concedida à Folha de S.Paulo nesta sexta-feira, 6, Flávio explicou que a declaração fazia parte de uma primeira versão da carta e disse não saber como o documento chegou ao conhecimento público. As diferentes versões do texto foram divulgadas por aliados do senador.
"Essa foi a primeira versão da carta e eu já revi essa parte. Eu não sei por que ela acabou se tornando pública."
Apesar do recuo em relação à expressão utilizada no documento, o senador não abandonou os questionamentos sobre a legitimidade do resultado.
Ao ser perguntado se ainda se considerava o verdadeiro presidente eleito do Brasil, Flávio afirmou que nem ele nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderiam ter certeza absoluta sobre quem venceu a disputa.
"Nem eu nem Lula podemos falar com 100% de certeza que alguém foi eleito presidente do Brasil. Eu tenho todas as ressalvas, motivos e indícios para desconfiar do que aconteceu nessas duas horas em que as eleições foram interrompidas, porque certamente elas não foram interrompidas para que as pessoas pudessem votar."
As declarações ocorrem em meio ao reconhecimento do resultado eleitoral por partidos que apoiaram Flávio, entre eles o próprio PL. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, também afirmou que a prorrogação da votação não provocou alterações na totalização dos votos.
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Críticas de aliados
A divulgação da carta também provocou manifestações contrárias de integrantes do próprio campo político do senador. Entre os nomes que criticaram a atitude estão o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o senador Rogério Marinho e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Ao comentar as reações, Flávio afirmou que as manifestações públicas não corresponderiam necessariamente ao pensamento dos aliados. Na avaliação dele, haveria receio de que essas pessoas expressassem abertamente suas desconfianças sobre o resultado das eleições.
"Eu acho que as pessoas, nesse momento, não falam exatamente o que pensam. Todos, no fundo, desconfiam do resultado da eleição, mas têm medo de falar."
Questionado sobre o fato de os aliados terem se manifestado publicamente para criticá-lo, o senador voltou a atribuir os posicionamentos ao medo de defender questionamentos sobre o processo eleitoral.
"Claro, manifestaram-se publicamente com medo. É óbvio que alguma coisa estranha aconteceu, só que ninguém vai defender essa tese, como eu posso falar aqui."


