POLÍTICA
Flávio Bolsonaro acusa Lula de uso eleitoral no discurso da ONU
Candidato afirma que pronunciamento teria ultrapassado os limites institucionais



Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, acusou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de desvirtuar a finalidade institucional do pronunciamento feito na abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas e convertê-lo em instrumento de promoção pessoal e eleitoral. O discurso do presidente aconteceu em Nova York na última terça-feira, 22.
Junto a seu candidato a vice, Alfredo Gaspar, Flávio apresentou uma representação à Justiça Eleitoral contra o presidente Lula, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) acerca do caso.
Os autores questionam o conteúdo do pronunciamento feito por Lula e alegam que a fala teria ultrapassado os limites de um discurso institucional de chefe de Estado. Segundo a representação, o conteúdo teria assumido características de campanha eleitoral e apresentado possível finalidade eleitoreira.
Referências à disputa eleitoral
Um dos principais pontos levantados na ação é a menção direta às eleições de 4 de outubro. Durante o pronunciamento, Lula afirmou que os brasileiros irão às urnas para “decidir entre democracia e negacionismo” e escolher entre um futuro com mais oportunidades ou o retorno a um passado de exclusão.
Para Flávio e Alfredo, a referência ao processo eleitoral reforçaria a alegação de que o presidente teria utilizado um espaço diplomático para abordar a disputa política no Brasil.
A representação também cita a menção feita por Lula quanto a redução da jornada de trabalho e ao fim da escala 6x1. O tema faz parte da agenda defendida pelo presidente e está presente no debate político e eleitoral. Para os autores da ação, a inclusão de pautas domésticas e propostas associadas ao cenário eleitoral seria outro elemento a ser considerado pela Justiça Eleitoral.
O documento classifica o pronunciamento como uma fala que teria sido “completamente desvirtuada e desnaturada”. Eles argumentam que existe o risco de trechos do discurso serem posteriormente utilizados em perfis, peças e outros materiais de campanha.
Por isso, a representação solicita a concessão urgente de uma tutela liminar. O objetivo é impedir que o conteúdo do pronunciamento seja aproveitado eleitoralmente enquanto o caso é analisado.
Precedente de 2022
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Como argumento jurídico, os autores recorrem a uma decisão tomada durante as eleições de 2022. Na ocasião, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisou a AIJE nº 0601180-27.2022.6.00.0000, que tratava de alegações de uso político de atos relacionados à atuação do então presidente Jair Bolsonaro em eventos internacionais.
Flávio e Alfredo pedem que o precedente seja considerado na análise do caso envolvendo o pronunciamento de Lula. A representação ainda será avaliada pela Justiça Eleitoral.


