CRISE INSTITUCIONAL
Flávio Bolsonaro faz pressão sobre Cármen Lúcia por voto contra Moraes
Cármen Lúcia é a única mulher a fazer parte do STF



O candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), fez uma ameaça direta à única mulher ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, ao cobrar um posicionamento sobre a abertura de uma investigação contra o colega de Corte, Alexandre de Moraes.
Em transmissão nas redes sociais, o senador afirmou que Cármen Lúcia deve se preocupar com a biografia dela, ao defender que ela vote a favor da investigação contra o magistrado.
Queremos saber se a senhora vai autorizar que o ministro Alexandre de Moraes seja investigado Flávio Bolsonaro - Candidato à Presidência pelo PL
Inflar atos no 7 de setembro
Ainda durante a live, Flávio conversou com eleitores e fez convocações para atos do 7 de Setembro, nesta segunda, contra o presidente Lula (PT) e o próprio Alexandre de Moraes.
Leia Também:
A campanha do presidenciável tenta inflar principalmente o ato na avenida Paulista, em São Paulo, que também acontece amanhã. "Se no 7 de Setembro as ruas estiverem cheias em todo o Brasil, o julgamento vai ser um; se estiverem vazias, vai ser outro", disse.
Como Cármen enxerga a crise no STF entre Mendonça e Moraes
Apesar de enxergar erros tanto de André Mendonça quanto de Alexandre de Moraes nas medidas que levaram o STF a uma crise institucional sem precedentes, Cármen Lúcia ainda não definiu qual deles vai ganhar o seu apoio, segundo a Folha.
Os dois magistrados disputam a colega de Corte em busca da hegemonia de seus respectivos grupos no Supremo — a posição dela é considerada decisiva nas deliberações que o plenário deve fazer sobre as condutas dos dois ministros.

Cármen, por sua vez, tem dito a auxiliares que está ciente de que seu voto está sob disputa e que há até mesmo apostas informais no mundo jurídico sobre a qual corrente ela se alinharia. A ministra, entretanto, diz que vai decidir exclusivamente com base nos autos, cuja íntegra ainda não acessou.
Na divisão atual da corte, Cármen é alinhada a Mendonça, por exemplo, na defesa da implementação de um código de conduta para o STF, proposta da qual é relatora. Por outro lado, ela acompanhou Moraes em todos os votos da ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado.
Quais serão os debates no STF?
De um lado, a corte vai discutir se houve arbitrariedade nos métodos utilizados por Mendonça nas apurações sobre o Banco Master e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que resultaram no relatório em que a Polícia Federal (PF) aponta Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Do outro, o Supremo vai avaliar a regularidade do ato de Moraes ao se utilizar do inquérito das fake news para pedir uma investigação contra Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
Correlação de forças
Também conforme a Folha, Moraes tem o apoio dos ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Já Mendonça calcula contar com Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e Edson Fachin.
O ministro Dias Toffoli fica de fora das votações, pois se declarou suspeito de atuar nos casos do Master, segundo um assessor da cúpula do STF.
Tanto Mendonça quanto Moraes afirmam a interlocutores que confiam na adesão de Cármen aos seus respectivos grupos, o que pode reconfigurar a correlação das forças e alianças que hoje existem no Supremo.


