CONFRONTO
Flávio Bolsonaro recorre a desinformação no 1º debate do 2º turno
Candidato lança acusações sem respaldo sobre economia, segurança e família de Lula



O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, participou neste domingo, 18, do debate promovido pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, marcando o primeiro confronto direto do segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O encontro foi marcado por um tom acirrado, embates diretos e pelo uso recorrente de alegações falsas e desinformação por parte do parlamentar.
Rastreamento de munições
Durante o debate, Flávio Bolsonaro negou ter apoiado a proposta legislativa que previa a retirada da marcação de lotes e da identificação de munições, medida que inviabiliza ou dificulta significativamente o rastreamento de artefatos por órgãos policiais.
A declaração não condiz com a verdade. O senador defendeu ativamente a aprovação da matéria no Senado Federal. Especialistas em segurança pública e órgãos de investigação alertam que a marcação de cartuchos é um instrumento essencial para desvendar assassinatos, identificar desvios de arsenais oficiais para o crime organizado e esclarecer a autoria de homicídios.
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Ataques pessoais
O candidato do PL também recorreu a informações falsas para atacar a figura do presidente e seus familiares:
Gastos com viagens: Flávio afirmou que Lula e a primeira-dama teriam gasto R$ 7 bilhões em viagens internacionais. A informação é falsa: os valores reais dispendidos pela diplomacia e viagens oficiais passam longe da ordem dos bilhões, tratando-se de uma extrapolação sem respaldo nas contas públicas prestadas pelo Executivo.
Investigações sobre a família: o senador declarou que "Lulinha" (Fábio Luís Lula da Silva) não é investigado pela Polícia Federal. A afirmação distorce fatos sobre procedimentos e inquéritos que já apuraram movimentações e relações de membros da família do presidente ao longo dos anos.
Distorção de dados
No bloco dedicado aos temas socioeconômicos e à segurança pública, Flávio Bolsonaro voltou a usar dados inconsistentes e falsos para criticar a atual gestão federal:
Fechamento de empresas: o senador alegou que o Brasil bateu recordes de encerramento de empresas no atual mandato. Dados de registros de falências e balanços do setor produtivo mostram o oposto, apontando retração nos índices de falências e um ritmo contínuo de abertura de novos negócios.
Estatísticas de criminalidade: o candidato sustentou que a criminalidade "explodiu" no país sob a gestão petista. A afirmação contradiz levantamentos oficiais de segurança pública, que registram quedas nos índices de crimes violentos intencionais (como homicídios) na comparação com períodos anteriores.


