POLÍTICA
Fuga de Flávio Bolsonaro tem EUA e Argentina como articuladores
Jornal argentino Clarín revelou detalhes da operação com aeronaves privadas e apoio de autoridades



A fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil foi facilitada por agentes dos Estados Unidos, que assumiram o controle de parte do aeroporto de Porto Iguaçu, na Argentina. A informação foi publicada pelo jornal argentino Clarín na última sexta-feira, 30, e segundo o periódico, o governo norte-americano também mobilizou pelo menos três jatos particulares para viabilizar a operação.
A atuação dos representantes estadunidenses estava na coordenação da decolagem da aeronave particular utilizada pelo político. Conforme a publicação, os agentes ocuparam funções que normalmente seriam desempenhadas por integrantes da polícia de segurança aeroportuária e por funcionários da imigração.
O senador chegou aos Estados Unidos na quarta-feira, 28 de outubro. Após a derrota nas eleições presidenciais de 2026, ele publicou uma carta de teor golpista na qual se declarou o "verdadeiro presidente eleito" do Brasil. Posteriormente, recuou e passou a se apresentar como "líder do Brasil", mantendo o tom golpista da comunicação.
O que se sabe sobre a operação?
A reportagem do Clarín descreve uma ação que teria envolvido diferentes estratégiaspara evitar que a saída de Flávio fosse identificada. Entre elas, estaria a divulgação de informações falsas por aliados do senador, que afirmaram que ele já havia chegado aos Estados Unidos na terça-feira, 27.
A reportagem também relata que caminhões e carros com placas de identificação distintas foram utilizados para confundir os postos de controle. A operação teria contado ainda com troca de informações entre agentes argentinos e norte-americanos.
Pelo menos três aeronaves particulares, de alto custo operacional, teriam sido coordenadas pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. Os jatos pousaram na região e permaneceram disponíveis como alternativas para assegurar o deslocamento do senador até Miami.
A participação argentina também é mencionada na apuração. Segundo o Clarín, o presidente Javier Milei teria enviado seu assessor Santiago Caputo à cidade de Misiones para acompanhar e garantir o sucesso do plano.
O que dizem as autoridades e outros veículos?
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, negou na tarde do último sábado, 31, que os Estados Unidos tenham ajudado Flávio Bolsonaro a deixar o Brasil. A declaração contrasta com informações publicadas por outros veículos de imprensa.
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Os jornais norte-americanos The New York Times e The Wall Street Journal informaram que Jason Miller, estrategista político e assessor de comunicação do presidente Donald Trump, participou da organização do avião particular que transportou Flávio para os Estados Unidos após a derrota eleitoral.
Enquanto Rubio rejeitou a participação do governo norte-americano, o Clarín atribui aos agentes dos EUA uma atuação direta na coordenação da saída do senador e na estrutura montada para garantir sua chegada a Miami.


