TENSÃO
Governo desafia decisão no STF e tenta reconduzir Andrei Rodrigues à PF
Medida eleva a tensão entre o Palácio do Planalto e a Suprema Corte



A Advocacia-Geral da União (AGU) ingressou com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão monocrática do ministro André Mendonça que determinou o afastamento cautelar de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal (PF).
A tese do Executivo, de acordo com a coluna Míriam Leitão, do jornal O Globo, sustenta que o ato singular do magistrado usurpa a competência privativa do presidente da República para nomear e exonerar o chefe da corporação. A medida eleva a tensão entre o Palácio do Planalto e a Suprema Corte.
Leia Também:
A decisão de Mendonça, proferida nesta terça-feira, 8, atingiu também o diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada.
No mês passado, Rodrigues havia ordenado a repatriamento do delegado encarregado do caso.
Por que Mendonça tomou essa decisão
A medida de Mendonça ocorre em meio à escalada da crise que vem tomando conta do Supremo nos últimos dias e que envolve, especialmente, os ministros Alexandre de Moraes e o próprio André Mendonça.
A decisão ocorre após o ministro Alexandre de Moraes usar relatórios apócrifos da Polícia Federal para acusar Mendonça de ter cometido os crimes de abuso de autoridade, crime de responsabilidade e improbidade administrativa na condução dos casos Banco Master e INSS, dois esquemas bilionários de corrupção que atingiram lideranças políticas de diferentes matizes políticos.
Mendonça também determinou o afastamento do delegado Leandro Almada do cargo de diretor de inteligência policial da Polícia Federal.
E determinou a “suspensão da produção, elaboração ou compartilhamento, ainda que interno, de todo e qualquer relatório de inteligência que se destine à análise de atos praticados no exercício das funções constitucionais de prestação jurisdicional, advocacia pública e de polícia judiciária”.
Quem é Andrei Rodrigues?
Andrei Rodrigues possui uma trajetória de mais de duas décadas na Polícia Federal, onde ingressou em 2002.
Ao longo de sua carreira, alternou o trabalho operacional no combate ao crime fazendário e ao tráfico de entorpecentes com funções de liderança. Ele ganhou projeção nacional ao atuar como o principal responsável pela segurança da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos do Rio em 2016.
No plano institucional e político, o delegado consolidou seu perfil de confiança ao chefiar a segurança da campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010 e, posteriormente, a de Luiz Inácio Lula da Silva no pleito de 2022. Em 2023, Rodrigues assumiu o cargo de diretor-geral da Polícia Federal.


