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DESCASO

​Idosos madrugam em calçadas por exames e consultas na Saúde de Jequié

População forma extensas filas na porta dos postos municipais, sem qualquer garantia de atendimento

Rodrigo Tardio
Por
| Atualizada em
Atenção básica acumula queixas dos moradores, e Jequié segue sem possuir hospital sob gestão municipal
Atenção básica acumula queixas dos moradores, e Jequié segue sem possuir hospital sob gestão municipal - Foto: Reprodução
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Mesmo após o município ter destinado mais de R$ 186 milhões à pasta da Saúde ao longo de 2025, a população de Jequié, Vale do Jiquiriçá, continua enfrentando uma rotina de sacrifícios e incertezas para obter assistência médica básica.

Nas primeiras horas do dia, idosos e trabalhadores formam extensas filas na porta dos postos municipais, sem qualquer garantia de que vão conseguir uma senha para exames ou consultas com especialistas.

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​De acordo com denúncia recebida ao portal A TARDE, durante a madrugada, pacientes chegam a se acomodar sobre pedaços de papelão estendidos no chão para tentar assegurar uma das poucas vagas oferecidas. A saga diária, no entanto, frequentemente termina em frustração.

​“Cheguei às duas da manhã e não consegui vaga. É humilhante”, desabafa um morador, em condição de anonimato, que voltou para casa sem o agendamento desejado.

​Recorde de queixas

​O cenário de precariedade colocou a saúde pública local no topo do índice de reclamações entre os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) na região.

A denuncia aponta ainda a falta recorrente de médicos nos postos, a demora excessiva para a realização de procedimentos simples, a ausência de remédios de uso contínuo nas farmácias populares e a deterioração física dos imóveis que abrigam as Unidades Básicas de Saúde (UBS).

​“A gente paga impostos e não tem retorno. É revoltante”, protestou outro morador, que diz ter aguardado um longo tempo para atendimento na UBS Almerinda Lomanto.

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​Contraste orçamentário

​O contraste entre a verba milionária injetada no setor e o caos vivenciado pelos usuários na ponta tem alimentado suspeitas e cobranças da população por transparência.

A pasta da Saúde é atualmente chefiada pela secretária Mariana Vaz, esposa do prefeito Flavio Santana.

Orçamento bilionário

A precariedade da rede municipal de saúde em Jequié tem gerado um efeito dominó danoso para a população regional. Sem atendimento preventivo eficiente na atenção básica, enfermidades simples evoluem para quadros graves, resultando na superlotação do Hospital Geral Prado Valadares (HGPV).

A sobrecarga da unidade estadual acaba por engarrafar todo o sistema de regulação de leitos do interior baiano.

O gargalo contrasta com o volume de recursos administrados pelo município. Com um orçamento anual de R$ 966,05 milhões — próximo da marca do R$ 1 bilhão —, a cidade teria capacidade financeira para estruturar uma rede primária modelo e gerir um hospital próprio.

Na prática, contudo, a atenção básica acumula queixas dos moradores, e Jequié segue sem possuir um hospital sob gestão municipal.

Comparativo

  • Jequié R$ 966,05 milhões - Nenhum hospital municipal
  • Maracás R$ 200,47 milhões - Hospital Municipal Dr. Álvaro Bezerra
  • Jitaúna R$ 148,60 milhões - Hospital Municipal Nossa Senhora de Fátima
  • Itagi R$ 127,77 milhões - Hospital de Pequeno Porte (HPP)

A comparação com cidades vizinhas expõe o descompasso. Municípios com receitas consideravelmente menores mantêm equipamentos hospitalares próprios operando regularmente.

Estrutura precária

Sem uma estrutura municipal para absorver os casos de média complexidade, a população de Jequié depende exclusivamente de unidades geridas por outras instâncias, como o HGPV, a UPA, a Policlínica Regional e a Santa Casa de Misericórdia.

A dependência dessas instituições escancara a incapacidade da rede municipal de suprir a própria demanda.

Diante do cenário de abandono relatado por usuários do sistema, resta a indagação sobre a destinação dos recursos municipais: obras estéticas de infraestrutura ou a garantia de atendimento hospitalar digno à população?

O que diz a Prefeitura

A Prefeitura de Jequié nega a falta generalizada de atendimento na rede municipal de saúde, informando que os serviços, consultas e exames continuam sendo ofertados conforme a demanda e os fluxos estabelecidos.

Eventuais demoras são pontuais e decorrem do aumento da procura, não configurando desassistência.

Para ampliar o acesso e qualificar os serviços, a Secretaria de Saúde investe no fortalecimento da Atenção Básica, na descentralização dos atendimentos e na realização de feiras de saúde nos bairros, mantendo o compromisso com a melhoria contínua da saúde pública.

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Tags

atendimento médico Financiamento em Saúde Jequié precariedade saúde pública sus

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