VITÓRIA DA CONQUISTA
Sheila Lemos corta SUS e joga pacientes em fila de três anos
Estratégia pode sobrecarregar postos de saúde e agravar cenário que já é crítico



A atenção à saúde pública em Vitória da Conquista, sudoeste da Bahia, voltou a ser centro de debates na Câmara Municipal.
O vereador Alexandre Xandó (PT) usou a tribuna da Casa para denunciar o encerramento dos atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Hospital Unimec, unidade privada que vinha desempenhando papel fundamental na assistência hospitalar do município.
Durante o pronunciamento, o parlamentar cobrou esclarecimentos diretos da gestão da prefeita Sheila Lemos Lemos (União Brasil) sobre o planejamento para absorver os pacientes que dependiam dos serviços da instituição.
"Queremos saber para onde vão esses pacientes que estavam sendo atendidos por lá, já que a UPA, que é mantida pelo governo do Estado, já tem alta demanda", afirmou o vereador.
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Atenção básica em risco
A principal preocupação apresentada por Xandó diz respeito ao plano da administração municipal de direcionar essa demanda para a rede de atenção básica.
De acordo com o vereador, a estratégia de sobrecarregar os postos de saúde agrava um cenário que já é crítico na cidade.
"Os postos de saúde trabalham com a Estratégia de Saúde da Família. A Prefeitura ainda quer sobrecarregar esses locais, onde os pacientes reclamam que faltam medicamentos e que esperam exames por até três anos", denunciou Xandó, ao cobrar providências urgentes da Secretaria Municipal de Saúde".
Promulgação da LOA
A promulgação da Lei Orçamentária Anual (LOA) referente a 2026 deflagrou um forte sinal de alerta na rede pública de saúde de Vitória da Conquista. Elaborado sob o comando da prefeita Sheila Lemos Lemos e chancelado pela bancada governista na Câmara Municipal, o plano financeiro determina uma tesourada drástica de R$ 72 milhões na pasta da Saúde — parte de um plano de contingenciamento mais amplo, que ultrapassa os R$ 130 milhões nas contas públicas da cidade.
A medida provocou reação imediata no plenário do Legislativo e entre a população. Na tribuna da Casa, a vereadora Viviane Sampaio (PT) denunciou os prejuízos diretos que o enxugamento trazer à assistência básica e questionou a capacidade operacional da atual gestão.
"Nós temos uma saúde que carece de competência administrativa. Até material de escritório está faltando nas unidades. Até a coleta de laboratório na zona rural foi suspensa por falta de material", apontou a parlamentar durante pronunciamento.
Desabastecimento e paralisação
Os reflexos da contenção de gastos já se traduzem na rotina de quem depende do Sistema Único de Saúde (SUS) no município. Entre os principais problemas relatados estão a falta de medicamentos essenciais e insumos básicos, o represamento no agendamento de exames e consultas com especialistas, além do travamento da fila para cirurgias eletivas.
O congelamento de verbas também inviabiliza a pactuação de novos leitos e serviços hospitalares e paralisa por tempo indeterminado a convocação de agentes comunitários de saúde e de combate às endemias.
Prioridades de gastos
Nas ruas, moradores expressam indignação com a ordem de prioridades da administração municipal. A realização de eventos festivos de grande porte, como o São João, em meio às restrições orçamentárias da saúde, é o principal ponto de controvérsia entre os munícipes.
Os cidadãos também criticam a disparidade entre a carga tributária cobrada pelo município e o retorno prático oferecido à comunidade, questionando a gestão da arrecadação local diante da frequente alegação de escassez de recursos para manter os postos de saúde operacionais.
Sobre o encerramento dos atendimentos do SUS no Unimec, a reportagem procurou a Prefeitura de Vitória da Conquista e aguarda resposta aos questionamentos.


