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OFENSIVA

Receita impede fraude de R$ 1 bilhão no salário-maternidade

Fiscalização interceptou requisições indevidas articuladas por organizações fantasmas

Rodrigo Tardio
Por
Explosão na demanda ocorreu após redefinições de regras pelo Supremo Tribunal Federal
Explosão na demanda ocorreu após redefinições de regras pelo Supremo Tribunal Federal - Foto: Divulgação
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Uma ofensiva da Receita Federal conseguiu conter um rombo estimado em R$ 1 bilhão aos cofres públicos ao neutralizar um esquema de fraudes no salário-maternidade do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

A fiscalização interceptou requisições indevidas articuladas por empresas de fachada e organizações fantasmas.

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​Alvo de investidas criminosas há mais de dois anos, o benefício garante 120 dias de auxílio a autônomos, Microempreendedores Individuais (MEIs) e contribuintes individuais em casos de nascimento, adoção, aborto legal ou natimorto — inclusive para uniões homoafetivas.

​Anomalias no radar

O cruzamento de dados do fisco expôs padrões atípicos nas solicitações. Entre os casos de maior gravidade, um MEI do setor de entregas chegou a requerer R$ 500 mil em reembolsos — modalidade vedada pela legislação para a categoria.

​A apuração também identificou:

  • ​Pedidos de cifras elevadas por empresas sem receita operacional ou com quadro de apenas um funcionário.
  • Requerimentos vinculados a mulheres sem registros de filhos em cadastro oficial e ausência de escrituração fiscal.
  • Empresários registrados simultaneamente como donos e empregados, além de indivíduos sacando múltiplos benefícios por companhias distintas em curto intervalo.
  • Venda de "soluções tributárias" e intermediações cobradas por influenciadores em redes sociais para um serviço oferecido gratuitamente pelo canal oficial Meu INSS.

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A explosão na demanda ocorreu após redefinições de regras pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As concessões saltaram de 48.888 em janeiro para 94.708 em dezembro, um avanço de 93,72%. No mesmo período, os pedidos subiram de 115.982 para 161.590 (alta de 39,3%).

Mudança na lei e cerco policial

Desde maio, a legislação impõe a concessão automática do benefício em até 30 dias após o protocolo, reservando ao órgão o direito de cancelar o repasse caso identifique inconsistências posteriores.

O formato anterior concedia prazo de 45 dias antes da aplicação de correção monetária.

​O cerco às irregularidades reúne histórico de atuação repressiva. Em etapa anterior das investigações, a Polícia Federal deflagrou a Operação Recupera, cumprindo mandados no Rio de Janeiro e em Santa Catarina para desarticular esquemas de inserção de dados falsos e bloquear R$ 3 milhões em bens dos envolvidos.

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Tags

fraude INSS irregularidades fiscais microempreendedores Operação Recupera Receita Federal salário-maternidade

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