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CANSANÇÃO

Prefeita baiana, marido e filha têm condenações mantidas na Justiça

Réus operavam circuito financeiro que movimentou milhões de reais

Rodrigo Tardio
Por
MPF sustenta que engrenagem financeira ilícita foi amplamente comprovada no decorrer das investigações
MPF sustenta que engrenagem financeira ilícita foi amplamente comprovada no decorrer das investigações - Foto: Divulgação | Instagram

O Ministério Público Federal (MPF) submeteu um parecer conclusivo ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) posicionando-se formalmente contra os recursos apresentados pela prefeita de Cansanção, Vilma Rosa de Oliveira Gomes (MDB), o marido, Ranulfo da Silva Gomes, e a filha Pollyanna Oliveira Gomes.

A família tenta reverter na segunda instância condenações pelos crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de bens, direitos ou valores.

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No documento, assinado pelo Procurador Regional da República Bruno Caiado de Acioli, o órgão ministerial recomenda o total desprovimento das apelações feitas pela equipe de defesa técnica dos réus.

Engrenagem financeira

O MPF sustenta que a engrenagem financeira ilícita foi amplamente comprovada no decorrer das investigações, que contaram com o trabalho de campo da Polícia Federal da Bahia e um extenso rol de testemunhas arroladas.

O principal argumento da Procuradoria para rechaçar a apelação é a magnitude e a sofisticação do esquema. De acordo com o parecer, os réus operavam um complexo circuito financeiro que movimentou milhões de reais.

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Para o MPF, o volume expressivo de capital ocultado justifica o rigor das sanções aplicadas em primeiro grau, funcionando como uma resposta penal estritamente proporcional à gravidade e ao impacto da conduta do grupo.

O procurador destaca no texto que a sentença original não apresenta qualquer desproporcionalidade ou falta de fundamentação jurídica.

O documento pontua que o juiz agiu dentro dos parâmetros legais e que o abrandamento das punições violaria os princípios constitucionais da individualização e da inderrogabilidade das penas — a garantia de que a sanção imposta seja de fato cumprida pelo infrator.

Conclusão

Como consequência direta da manutenção integral das penas, o Ministério Público Federal concluiu que não cabe qualquer tipo de alteração no regime inicial de cumprimento da reprimenda.

Com isso, caso o TRF-1 acolha a manifestação da Procuradoria, a família Gomes vai precisar cumprir as penalidades nos exatos moldes determinados na primeira instância. O processo agora aguarda a inclusão na pauta de julgamentos do tribunal.

Entenda o caso

Em novembro de 2014, a prefeita reeleita de Cansanção, Vilma Rosa de Oliveira Gomes (MDB), foi condenada na Justiça Federal. A sentença apontou que a gestora integrou organização criminosa e cometeu fraudes licitatórias entre os anos de 2011 e 2015 com o objetivo de desviar verbas da Secretaria Municipal de Saúde. Na época dos fatos, Vilma chefiava a pasta e era casada com o então prefeito, Ranulfo Gomes.

A pena fixada pelo juízo foi de nove anos, quatro meses e 25 dias de reclusão, além do pagamento de 285 dias-multa. A sanção deveria ser cumprida, inicialmente, em regime fechado. Contudo, o tribunal concedeu à prefeita o direito de recorrer em liberdade, sob a justificativa de que não estão presentes os requisitos legais que autorizariam a decretação de uma prisão preventiva.

Operação Making Of

A condenação é fruto dos desdobramentos da "Operação Making Of", deflagrada pela Polícia Federal. De acordo com a denúncia, o ex-prefeito Ranulfo Gomes estruturou um esquema corporativo familiar para assumir o controle das contratações públicas do município, anulando a concorrência e direcionando certames para empresas do próprio casal ou de parentes.

Auditorias realizadas pela Controladoria-Geral da União (CGU) revelaram que a fraude movimentou mais de R$ 26 milhões em contratos públicos. Pelo cargo que ocupava, Vilma Gomes controlava o Fundo Municipal de Saúde e, segundo a acusação aceita pela Justiça, colaborava ativamente com as manipulações, demandando contratações direcionadas e autorizando os pagamentos.

O caminho do dinheiro

As provas que sustentam a decisão foram obtidas por intermédio de quebras de sigilo bancário e interceptações telefônicas de conversas entre Vilma, familiares e outros corréus. Os laudos técnicos da CGU mapearam o fluxo financeiro do esquema:

A empresa G.S Informática, registrada em nome de um sobrinho da prefeita, foi uma das principais beneficiadas, recebendo R$ 1,7 milhão dos cofres municipais.

Vilma realizou transferências que somam R$ 90 mil para o "Grupo Gomes", divididos entre a R.S Transportes e Logística (R$ 57,8 mil), a Madeireira Gomes LTDA (17 lançamentos) e outros R$ 10 mil destinados à empresa do filho do casal.

Em contrapartida, as quebras de sigilo identificaram que a atual gestora recebeu diretamente R$ 424,3 mil oriundos da Prefeitura de Cansanção (por meio de 90 transações) e mais R$ 127,1 mil vindos do Fundo Municipal de Saúde.

Sobre a nova decisão em relação à prefeita Vilma Gomes, a reportagem procurou a gestão municipal de Cansanção, e ainda aguarda resposta aos questionamentos.

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Condenações Judiciais Direitos e Deveres Legais Engrenagem Financeira lavagem de dinheiro Ministério Público Federal Tribunal Regional Federal

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