CRISE
Prefeito de Jequié demite própria esposa após pressão e crise na Saúde
Mariana replicou ofensas nas Redes Sociais, direcionadas a apoiadores de Lula



A repercussão negativa e a forte reação popular levaram à demissão da secretária de Saúde de Jequié, Mariana de Freitas Oliva, oficializada nesta terça-feira, 27. O ato de exoneração, publicado no Diário Oficial do Município, foi assinado pelo próprio marido e prefeito da cidade, Flávio Gondim Oliva Santana (União Brasil).
A demissão ocorreu após a gestão municipal ser pressionada pela circulação de conteúdos ofensivos compartilhados pela então gestora.
Primeira-dama e dentista de formação, Mariana replicou uma postagem nas redes sociais contendo ofensas direcionadas a apoiadores do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Diante do descontentamento público, Mariana divulgou uma retratação, alegando que não tinha a intenção de desrespeitar qualquer cidadão.
Contraste na gestão
A instabilidade na condução da pasta ocorre em um cenário de crescentes queixas de usuários da rede pública local. Pacientes relatam enfrentamento contínuo com longos períodos de espera para a marcação de consultas, exames especializados e procedimentos diagnósticos urgentes — incluindo casos em que a fila de espera por uma simples endoscopia se arrasta por anos.
O gargalo no atendimento ocorre a despeito do volume substancial de recursos destinados à pasta. De janeiro a agosto de 2026, os cofres municipais direcionaram R$ 136,25 milhões para a saúde de Jequié, o que representa um aporte médio mensal superior a R$ 17 milhões.
Do montante investido, R$ 58,77 milhões foram alocados na Atenção Básica, R$ 46,64 milhões na Assistência Hospitalar e Ambulatorial e R$ 22,23 milhões na Administração Geral.
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Impactos na rede
A Constituição Federal assegura a saúde como direito universal e dever estatal, atribuindo aos municípios o papel estratégico de estruturar uma Atenção Básica eficiente e resolutiva.
"Na prática, a inoperância ou sobrecarga na porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) gera um efeito cascata. Quando o atendimento primário falha em diagnosticar ou tratar preventivamente, as demandas represadas migram para os serviços de média e alta complexidade, disse um usuário do sistema de saúde municipal.
E emendou:
"O fluxo costuma sobrecarregar a unidade de referência regional, o Hospital Geral Prado Valadares, pressionando a estrutura hospitalar com internações e intervenções que poderiam ter sido evitadas nos postos de saúde da Prefeitura".


