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DESASTRE AMBIENTAL

Prefeitura prorroga situação de emergência em São Tomé de Paripe

Praia do Subúrbio Ferroviário de Salvador foi interditada por contaminação de metais pesados

Anderson Ramos
Por
Paraíso no Subúrbio sofre com contaminação por resíduos.
Paraíso no Subúrbio sofre com contaminação por resíduos. - Foto: Uendel Galter | AG. A TARDE
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O prefeito Bruno Reis assinou um decreto que prorroga por mais 90 dias a situação de emergência na praia de São Tomé de Paripe, no Subúrbio de Salvador. O estado crítico foi inicialmente determinado no dia 8 de junho, por conta da contaminação por substâncias químicas e concentrações elevadas de metais como cobre, zinco e ferro em diferentes pontos da região turística.

De acordo com o decreto assinado na segunda-feira, 10, a continuidade da situação de emergência precisou ser adotada porque os efeitos decorrentes do desastre ainda não cessaram. Foi verificada a persistência dos impactos ambientais e sociais decorrentes da presença de substâncias químicas na área afetada, bem como a necessidade de continuidade das ações de monitoramento, prevenção, mitigação e resposta.

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Contaminação atingiu organismos marinhos

De acordo com a prefeitura, os estudos realizados pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) identificaram níveis preocupantes de contaminação em organismos marinhos, especialmente moluscos bivalves, como ostras, encontrados na área.

A situação acendeu o alerta para possíveis impactos ambientais e riscos à saúde da população que frequenta a região. A gestão municipal atribui os danos ambientais a resíduos provenientes de atividades desenvolvidas pelas empresas Gerdau e Intermarítima, conclusão baseada em apurações conduzidas pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA).

Em fevereiro, a praia começou a apresentar manchas amarelas e azuis na faixa de areia
Em fevereiro, a praia começou a apresentar manchas amarelas e azuis na faixa de areia - Foto: Denisse Salazar / AG. A TARDE

Reconhecimento federal

Ainda em junho, a Defesa Civil nacional reconheceu a situação de emergência em Salvador. Com o reconhecimento federal da situação de emergência, o município terá acesso a recursos da União destinados a ações de assistência humanitária, recuperação das áreas afetadas e mitigação dos danos causados pela contaminação.

Multas milionárias

O desastre ambiental que causou a contaminação da praia de São Tomé de Paripe, custou caro para as empresas apontadas como responsáveis pela degradação.

O Inema aplicou multas administrativas para a atual gestora do terminal marítimo, a Terminal Itapuã Ltda. (Intermarítima), no valor de R$ 20 milhões, e à antiga dona, a Gerdau Aços Longos S.A., no valor de R$ 50 milhões por contribuírem para a contaminação das águas intersticiais, águas subterrâneas, sedimentos, águas marinhas e da biota da região.

De acordo com o Inema, a infração foi caracterizada como efetiva poluição ambiental após análises documentais, inspeções técnicas e coletas de amostras realizadas pelo nos dias 20, 24 e 26 de fevereiro; 2, 7 e 14 de abril de 2026, tanto na Praia de São Tomé de Paripe quanto no Terminal Itapuã.

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O que dizem as empresas

Tanto a Intermarítima quanto a Gerdau dizem que vão recorrer da multa. Ambas empresas não assumem a culpa pela contaminação e jogam a responsabilidade do desastre uma para a outra.

A Intermarítima alega que a contaminação decorre de substâncias típicas da operação da Gerdau ao longo de 33 anos, como cobre, e de metais movimentados exclusivamente por ela no terminal, como manganês. A empresa assumiu o terminal em 2022.

Praia de São Tomé de Paripe pós decreto de emergência.
Praia de São Tomé de Paripe pós decreto de emergência. - Foto: Uendel Galter / Ag. A TARDE

“Este metal chegou até a 800 vezes acima do valor de referência e se mantém persistente até hoje e estão presentes nas manchas na zona de praia. Laudos apresentados pela própria Gerdau ao Inema indicam que a pluma de cobre além de outros metais em água subterrânea já avançava em direção à praia durante sua operação. A Terminal Itapuã passou a operar em 2022 com base na informação da Gerdau de que a remediação havia sido eficaz. Laudos de monitoramento da Gerdau recentemente obtidos provam o contrário”, diz a empresa em nota.

Já a Gerdau, afirma que “não há laudo técnico que demonstre que a companhia tenha contribuído para o dano e que apresentará defesa administrativa, fundamentada em vasta documentação e laudos técnicos”.

A empresa diz ainda que “não é a titular da licença ambiental vigente do Terminal Marítimo, a qual foi devidamente transferida, em 2022, à Intermarítima, atual proprietária e operadora do ativo”.

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prefeitura de salvador São Tomé de Paripe situação de emergência

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