POLÍTICA
Preso, Bolsonaro já defendeu 'linha dura' dentro das cadeias
Família tenta tirar ex-presidente de prisão na sede da PF

Por Cássio Moreira

Preso desde novembro do ano passado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi novamente levado para o hospital, nesta quarta-feira, 7, após sofrer uma queda dentro da cela. Hoje alvo de pedidos para uma transferência por conta de sua saúde, o político já teve uma visão diferente sobre o tema.
Conhecido por seu discurso em defesa do endurecimento das leis nos tempos de deputado federal, Bolsonaro fez declarações públicas contra pessoas encarceradas.
Em 2018, quando era pré-candidato ao Palácio do Planalto, no pleito em que acabou sendo eleito, Bolsonaro afirmou, ao ser questionado sobre a audiência de custódia, que a situação dos presídios superlotados "é problema de quem cometeu o crime".
"Eu acho que a chance de alguém que pratica um furto ficar detido é zero junto com a audiência de custódia. Tem de acabar com isso. E não vem com essa historinha 'ah, os presídios são cheios e não recuperam ninguém'. É problema de quem cometeu o crime", disparou Bolsonaro.
Em 2017, Bolsonaro 'viralizou' ao falar outra frase no mesmo sentido em uma coletiva de imprensa. A declaração ocorreu na Câmara dos Deputados.
“Você não quer ir para a cadeia, é só não fazer besteira", disparou o ainda deputado, que foi eleito presidente no ano seguinte, ao vencer o agora ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT).
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Bolsonaro também se mostrou a favor de penas maiores para os presos, quando questionado sobre o destino de Adélio Bispo, autor da facada contra ele durante a campanha eleitoral de 2018.
"Como não podemos condenar ninguém por prisão perpétua, que, pelo menos, se cumpra 30 anos de cadeia. Vamos acabar com progressão de pena", afirmou Bolsonaro.
Massacre do Carandiru
Em 1992, no seu primeiro ano como deputado federal, Jair Bolsonaro debochou do massacre do Carandiru, promovido pelas forças de segurança do estado de São Paulo dentro do presídio de mesmo nome, culminando na morte de centenas de presos.
"Morreram poucos. A PM tinha que ter matado uns mil", afirmou Bolsonaro na ocasião.
Bolsonaro transferido
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi transferido para um hospital em Brasília, nesta quarta-feira, 7, após Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a realização de exames.
Na terça, 6, Michelle Bolsonaro (PL), esposa de Bolsonaro, apelou publicamente para que Moraes e a Procuradoria-Geral da República autorizassem a ida do ex-presidente ao hospital.
A família de Bolsonaro também tem pedido que a Justiça autorize sua ida para um regime de prisão domiciliar, usando como argumento o estado de saúde do político, que passou por cinco procedimentos cirúrgicos nos últimos dias de 2025.
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