CONSELHO DE ÉTICA
PT pede perda do mandato de Flávio Bolsonaro por quebra de decoro
Ação foi protocolada após vir à tona que senador pediu R$ 134 milhões a Vorcaro



O Partido dos Trabalhadores (PT) pediu a perda do mandato do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por quebra de decoro parlamentar.
A representação foi protocolada na noite de quarta-feira, 2, no Conselho de Ética do Senado e é assinada pelo presidente nacional da legenda, Edinho Silva.
No documento, o PT sustenta que Flávio teria apresentado versões contraditórias sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e sobre os recursos destinados ao filme “Dark Horse”, que conta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A representação não pede que o Conselho de Ética investigue eventuais crimes relacionados ao financiamento do filme.
Segundo o PT, cabe ao colegiado avaliar a conduta parlamentar e verificar se houve quebra de decoro, enquanto eventual responsabilidade criminal deve ser analisada pela Justiça.
Pedido ocorre após áudio sobre R$ 134 milhões
A iniciativa do PT ocorre depois da divulgação de um áudio em que Flávio Bolsonaro aparece pedindo R$ 134 milhões a Vorcaro.
De acordo com a publicação, foram US$ 1,6 milhão, valor superior a R$ 8 milhões na cotação atual, transferidos para o fundo Havengate, responsável pela gestão financeira do filme.
Para o PT, a diferença entre as versões e a existência de registros sobre a relação financeira entre Flávio e Vorcaro devem ser analisadas pelo Conselho de Ética.
O partido também afirma que as negociações envolvendo o filme continuaram mesmo depois de as suspeitas sobre a situação do Banco Master terem se tornado públicas.
Pagamento de US$ 1,6 milhão
O PT também questiona uma declaração feita por Flávio Bolsonaro em entrevista à GloboNews. Segundo a representação, o senador afirmou que o último pagamento de Vorcaro para o filme havia ocorrido em maio de 2025.
Uma reportagem da revista Piauí revelou, porém, que Vorcaro teria realizado um novo pagamento em setembro daquele ano.
De acordo com a publicação, foram US$ 1,6 milhão, valor superior a R$ 8 milhões na cotação atual, transferidos para o fundo Havengate, responsável pela gestão financeira do filme.
Na avaliação apresentada pelo PT ao Conselho de Ética, o uso da autoridade do cargo em negociações privadas de grande valor, associado a declarações que o partido considera incompatíveis com documentos divulgados, pode configurar quebra de decoro parlamentar.
O que pode acontecer
A representação do PT agora será analisada de acordo com o rito do Conselho de Ética do Senado.
O presidente do colegiado, senador Jayme Campos (União Brasil-MT), irá avaliar se o pedido cumpre os requisitos formais, como prazos, qualidade das provas e argumentação.
Se for admitida, a petição será convertida em representação oficial.
Depois da designação do relator, o senador acusado será notificado e terá prazo de 10 dias úteis para apresentar a defesa prévia por escrito, arrolar até cinco testemunhas e anexar provas.