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PRIVATIZAÇÃO?

Sindicato aciona Justiça para barrar venda de ações da Bahiagás

Entidade questiona decreto do governo estadual e aponta risco de perda de controle estratégico

Leo Almeida
Por
Diretor do sindicato alega que Estado perderia capacidade de decisão sobre investimentos
Diretor do sindicato alega que Estado perderia capacidade de decisão sobre investimentos - Foto: Vini Ribeiro | Sindiquímica
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O Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Químico, Petroquímico, Plásticos, Fertilizantes e Terminais Químicos da Bahia (Sindiquímica Bahia) ajuizou uma ação civil pública para suspender a venda de parte das ações da Bahiagás. A entidade questiona a legalidade da operação autorizada pelo Decreto nº 24.839/2026 e aponta riscos à manutenção do controle público da companhia.

Na ação, o sindicato argumenta que a operação não teria autorização legislativa específica nem seria precedida de licitação pública. A entidade também alerta para possíveis impactos nos direitos e nas condições de trabalho dos empregados.

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Segundo Alfredo Santos, diretor do Sindiquímica e da Central Única dos Trabalhadores na Bahia (CUT-BA), a venda de ações poderia reduzir a participação do Estado a menos de dois terços do capital da empresa, comprometendo sua capacidade de decisão sobre investimentos e questões estratégicas.

“A venda das ações, ainda que parcial, faria o Governo do Estado ter menos de 2/3 do capital da Bahiagás e, portanto, perder a capacidade de deliberar sobre o plano de investimento e sobre quaisquer decisões estratégicas da empresa”, afirmou.

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A empresa dá lucro?

O Sindiquímica realizou uma assembleia em frente à sede da Bahiagás, em Salvador, para apresentar aos funcionários os termos da ação judicial e defender a mobilização contra a venda de ações na última quinta-feira, 29.

O diretor do sindicato também questionou a justificativa econômica para a venda de parte da participação estatal na companhia, que registra resultados positivos e possui previsão de investimentos com recursos próprios e operações de crédito.

“O Governo precisa demonstrar por que seria economicamente vantajoso abrir mão da participação em empresa altamente lucrativa, que distribui dividendos expressivos e financia sua expansão sem depender de recursos públicos”, declarou Santos.

Segundo o sindicato, a Bahiagás é a maior distribuidora de gás natural canalizado das regiões Norte e Nordeste e a segunda maior do país. O governo da Bahia detém atualmente 75,5% das ações da companhia. A empresa registrou lucro de R$ 197,7 milhões em 2024 e de R$ 182,3 milhões em 2025.

Para o período de 2026 a 2031, a previsão é de R$ 1,86 bilhão em investimentos, com recursos próprios e operações de crédito.

Deputado eleito defende venda

O deputado federal eleito Lucas Reis (PT), que atuou por três anos como conselheiro da Bahiagás, rebateu as críticas à operação e afirmou que a venda de uma participação minoritária não representa a privatização da companhia.

Segundo ele, o Estado continuará com a maioria das ações com direito a voto e manterá o poder de conduzir as decisões estratégicas da empresa.

“Privatização é uma coisa, venda de participação minoritária é outra. O Estado da Bahia não está abrindo mão do controle da Bahiagás. Continuará com a maioria das ações com direito a voto e com o poder de conduzir as decisões estratégicas da companhia. É importante que esse debate seja feito com responsabilidade e com base nos fatos”, afirmou.

Lucas Reis acrescentou que as ações colocadas à venda fazem parte de um lote adquirido pelo Estado em 2022 e que a operação não comprometeria a participação acionária original do governo.

“Defender o patrimônio público também é tratar o assunto com seriedade. A Bahiagás continuará sob controle do Estado, com seus investimentos e seu papel estratégico no desenvolvimento da Bahia preservados”, declarou.

O parlamentar também destacou que, segundo sua avaliação, a manutenção do controle acionário assegura ao governo estadual a prerrogativa de indicar o diretor-presidente da companhia e orientar os investimentos previstos para ampliar a rede de distribuição de gás natural.

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