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Mulher é denunciada por cobrança e coação em ocupação em Pituaçu

Ex-integrantes do movimento apontam taxa de R$ 100, expulsões e uso do nome do MP/BA para coação

Andrêzza Moura
Por
Prédio foi ocupado em dezembro de 2025
Prédio foi ocupado em dezembro de 2025 - Foto: Google Maps

"Ela disse que todo mundo ia conseguir sua casa e que, se a gente ocupasse um prédio abandonado, seria mais rápido para conseguir. Depois que todo mundo entrou, se arriscou com a polícia e tudo, ela passou a cobrar R$ 100 de cada um. Quem não paga, é expulso".

Este é o relato de uma dona de casa, de 50 anos, ex-moradora da ocupação residencial localizada no Infinity Ecologic Residence, prédio ainda em construção na Rua Marquês de Queluz, no bairro de Pituaçu, em Salvador.

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Ela diz ter sido uma das pessoas expulsas de uma das unidades do edifício após discordar da forma como o trabalho vem sendo conduzido e por se recusar a pagar uma contribuição mensal.

A mulher, que preferiu não se identificar, apontou Alessandra Rosa dos Santos, uma das lideranças do movimento Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL), como responsável pelas cobranças e coações. Ainda segundo ela, Alessandra age em parceria com um homem conhecido como Fidel.

“Entraram umas 100 pessoas [no Infinity Ecologic Residence]. Hoje, se tiver umas 20 morando lá, é muito. Ela foi tirando as pessoas que não puderam pagar os R$ 100. Agora, ela está vendendo o espaço, praticamente. Quem dá R$ 100 para ela, fica morando lá. É como se fosse um aluguel”, reafirmou a mulher.

Atualmente, segundo os ex-ocupantes, cerca de 20 pessoas ocupam o prédio
Atualmente, segundo os ex-ocupantes, cerca de 20 pessoas ocupam o prédio - Foto: Arquivo pessoal

O prédio foi ocupado no dia 27 de dezembro de 2025 e, conforme dados apresentados no Embargo do Terceiro Cível, ação foi ajuizada pela própria Alessandra, no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ/BA), em 20 de março deste ano. À época, cerca de 92 famílias ocuparam o espaço coletivo.

A dona de casa contou ainda que foi morar no local com a família porque, atualmente, vive em situação de risco. "Ela [Alessandra] disse que a associação poderia ajudar a resolver essa situação. Até hoje, nada", lembrou a mulher.

Ela explicou que, diante das promessas de Alessandra, ficou cheia de esperança. No entanto, com o passar do tempo, começou a observar algumas irregularidades. Para ela, a situação chegou ao limite quando decidiu fazer algumas melhorias na unidade que a família ocupava.

Parte interna da ocupação
Parte interna da ocupação - Foto: Arquivo pessoal

“Ela [Alessandra] chegou para mim e disse que eu e meu esposo fomos expulsos porque colocamos luz lá. A diretoria dela já tinha energia nos apartamentos e ela não queria que a gente colocasse. Minhas coisas ainda estão lá [na ocupação]. Eu não quis retirar por causa do prejuízo e estou esperando uma resposta do Ministério Público para poder tirar", finalizou ela, revelando que denunciou Alessandra ao MP.

Outra expulsão

Um homem, de 49 anos, também conversou com o A TARDE sob anonimato e denunciou Alessandra. Expulso da ocupação há cerca de dois meses, ele disse que, antes de integrar o grupo liderado pela mulher, morou durante um ano em outra ocupação.

“Alessandra ligou para mim dizendo que o pessoal estava sabendo das coisas que ele [liderança de outra ocupação] estava fazendo e que havia situações que ela não estava de acordo. Ela chamou o pessoal que estava com ele para ir para a ocupação dela. A gente foi. Quando cheguei, tinha pouca gente", lembrou.

O rapaz também afirmou ter procurado o Ministério Público da Bahia (MP/BA) para denunciar Alessandra. Segundo ele, a mulher estaria usando o nome do órgão para incentivar os ocupantes do movimento Frente Nacional de Luta Campo e Cidade a preencherem, sem saber exatamente o que se tratava, um formulário da Associação Beneficente de Apoio e Inclusão Social Rosa Guia, da qual ela seria coordenadora.

Cerca de 92 famílias ocuparam o imóvel
Cerca de 92 famílias ocuparam o imóvel - Foto: Arquivo pessoal

“Ela [Alessandra] disse que o Ministério Público tinha pedido alguns documentos, inclusive uma foto 3x4. Quando vi aquilo, sabia que tinha alguma coisa errada, porque não tinha relação com o Ministério Público. Ela falou: 'se você quiser ganhar a casa, assina. Se não quiser, está fora daqui'. O formulário era da Rosa Guia, que é uma ONG ligada a ela. Todos seguiram [a ordem], e eu também assinei”, afirmou o senhor.

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O que diz Alessandra e o MP

O A TARDE tentou contato com Alessandra para que ela pudesse apresentar sua versão sobre as acusações relacionadas aos ex-ocupantes, incluindo denúncias de cobrança de R$ 100 mensais, expulsões de pessoas que não tinham condições de pagar, utilização de documentos da Associação Rosa Guia, supostos prejuízos financeiros e demais acusações citadas nesta matéria.

Mas, até a publicação, a reportagem não havia conseguido falar com ela. O A TARDE reforça que o espaço segue aberto para possíveis posicionamentos.

O Ministério Público do Estado também foi contatado para informar se recebeu denúncias ou instalou algum procedimento para apurar essas situações. O A TARDE aguarda retorno.

Decisão da Justiça sobre a ocupação do prédio

Em resposta ao Embargo do Terceiro Cível, ação ajuizada por Alessandra, em 20 de março deste ano, a juíza Alianne Katherine Vasques Santos Morais decidiu, no dia 1º de abril, suspender a reintegração de posse do Infinity Residence, em Pituaçu, Salvador.

A decisão garantiu, provisoriamente, a permanência das famílias que ocupam o imóvel desde 27 de dezembro de 2025. A decisão não dá o direito definitivo sobre o imóvel.

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irregularidades ocupação de hotel

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