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Lavareda vê eleição presidencial acirrada e cita “vantagem do incumbente”
Cientista político participa do evento “Diálogos que transformam” nesta segunda-feira, 21



O cientista político, sociólogo e doutor em Ciência Política Antônio Lavareda avaliou o cenário eleitoral brasileiro e afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utiliza a chamada “vantagem do incumbente” ao adotar medidas de governo em ano de eleição. Entre as ações, está o reajuste do Bolsa Família, anunciado recentemente pelo governo federal.
Para Lavareda, a possibilidade de o presidente utilizarpolíticas públicas durante o período eleitoral é estudada pela ciência política como uma característica de quem ocupa o cargo e busca a reeleição.
“Olha, todo incumbente lança mão da incumbência, ou seja, na literatura de ciência política algo que se chama vantagem do incumbente. O que é que é vantagem do incumbente? A possibilidade de utilizar, de lançar mão de políticas públicas até a última hora em função dos seus interesses eleitorais”, afirmou.
O especialista é convidado de mais uma edição do Diálogos que Transformam, evento realizado pela Associação Comercial da Bahia (ACB) nesta segunda-feira, 21, no Palacete Tirachapéu, localizado na tradicional Rua Chile, no Centro Histórico de Salvador. O encontro é uma parceria com o LIDE Bahia e com o portal Política Livre. O local escolhido é o Palacete Tirachapéu, localizado na tradicional Rua Chile, no Centro Histórico de Salvador.
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Preocupação
Em coletiva de imprensa, o cientista político avaliou que as medidas indicam preocupação do presidente com a disputa eleitoral. A avaliação ocorre em um cenário que, segundo pesquisas recentes, apresenta uma disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL).
“Se não é exatamente desespero, pelo menos revela uma grande preocupação do presidente que busca a reeleição. De fato, é uma eleição muito acirrada, grosso modo podemos dizer que a eleição nesse momento está no empate técnico, a eleição nacional”, disse Lavareda.
Esquerda com candidatura única
Outro ponto destacado pelo especialista foi a configuração da disputa presidencial. Lavareda afirmou que a esquerda chega à eleição com Lula como seu único candidato competitivo, enquanto outros postulantes estão posicionados à direita.
“Você vê que talvez seja a primeira eleição da Nova República na qual a esquerda tem apenas um candidato, quer dizer, um candidato competitivo. Porque há mais dois candidatos, mais de partidos de extrema-esquerda, irrelevantes. Então é a única eleição, repito, em que a esquerda só tem um candidato, que é o presidente, candidato que postula a reeleição, e todos os outros são candidatos de direita”, afirmou.
Atualmente, o TSE registra candidaturas de Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão), entre outros. A Corte informou que 12 candidatos estão na disputa pela Presidência após os julgamentos dos registros.
Propaganda e debates na reta final
Lavareda também analisou o comportamento do eleitor na reta final da campanha. Para ele, a proximidade da votação tende a aumentar a carga emocional da disputa e coloca propaganda eleitoral, debates e cobertura jornalística entre os fatores que podem movimentar o cenário.
“Olha, todas as eleições da Nova República, tivemos nove eleições até o momento, foram bastante disputadas e essa não é diferente. Na disputa há uma carga de emoção muito grande envolvida”, afirmou.
O cientista político destacou ainda o alcance da televisão aberta e do rádio, apesar do crescimento das redes sociais como fonte de informação política.
“Nós temos na reta final propaganda na TV e no rádio. Lembrar que propaganda na TV e no rádio, embora haja hoje uma grande importância das redes sociais, boa parte da população se informa através dela, mas é importante lembrar que a propaganda na TV e no rádio, na TV aberta, estou falando, ela atinge mais de 100 milhões de brasileiros”, disse.
Notícias "quentes"
Segundo Lavareda, os debates e o noticiário também podem ter influência sobre as intenções de voto nos últimos dias antes da eleição.
“Nós temos, como eu digo hoje, começamos a penúltima semana disso e os movimentos finais, com certeza, vão ser advindos de uma alta propaganda, de outro, dos debates, dos debates finais que vão ter lugar, nacionalmente, nos estados e, ainda, e com muita importância, do noticiário”, afirmou.
Ao analisar a dinâmica das eleições presidenciais brasileiras, o cientista político, sociólogo e doutor em Ciência Política Antônio Lavareda chamou atenção para o efeito da bipolarização sobre a disputa eleitoral. Para ele, o modelo consolidado ao longo das últimas décadas acabou reduzindo a percepção do eleitorado sobre a competição presidencial a duas grandes forças.
Panorama atual
Ao analisar a dinâmica das eleições presidenciais brasileiras, Lavareda chamou atenção para o efeito da bipolarização sobre a disputa eleitoral. Para ele, o modelo consolidado ao longo das últimas décadas acabou reduzindo a percepção do eleitorado sobre a competição presidencial a duas grandes forças.
"A bipolarização, ou seja, a polarização eleitoral no Brasil, porque os constituintes que adotaram a regra estão seguindo tudo. E o meu entendimento bipolariza, desnecessariamente, a sociedade. Imagina se o Brasil tivesse saído da eleição de 89, do jeito que eu disse, um partido com 30%, outro partido com 17%, outro partido com 16%, mas não. O que ficou na mente das pessoas, do ponto de vista de disputa presidencial, foram dois partidos, duas forças, uma com 53% dos votos e outra com 47%."
Na avaliação do cientista político, a compreensão do cenário eleitoral atual também passa pelas características específicas da eleição de 2018, marcada por uma mudança significativa no comportamento de parte do eleitorado. Lavareda classificou aquele pleito como uma "eleição crítica", conceito utilizado pela ciência política para definir momentos de ruptura ou deslocamento relevante nos padrões eleitorais.
"Em 2026, provavelmente em 2030, nenhuma outra vai poder ser razoavelmente compreendida, se não tivermos em mente e com alguma nitidez, os aumentos, porque ocorreu em 2018 a natureza da eleição. Dificilmente se repetirá outra eleição como em 2018. Por quê? 2018 é o que a ciência política chama de eleição crítica. Eleições críticas são aquelas disputas nas quais se dá um deslocamento como de placas tectônicas, um eleitorado que reiterou seu comportamento de forma mais ou menos regular ao longo do tempo, um belo dia, tudo que parecia difícil, quase impossível de ser mudado, ele se mostra modificado."


