SAÚDE
Bahia lidera internações de crianças por acidentes com armas de fogo
Estado teve 23 hospitalizações em 2025 e concentrou 32,9% dos casos registrados no país


A Bahia registrou 5.456 internações de crianças e adolescentes de até 14 anos por quedas em 2025, segundo levantamento da Aldeias Infantis SOS com dados do Ministério da Saúde. O número representa 55,6% das 9.806 hospitalizações por acidentes analisadas no estado e coloca as quedas como principal causa de internação entre o público infantojuvenil.
Outro dado chama atenção: a Bahia também concentrou a maior parcela das hospitalizações de crianças e adolescentes por acidentes envolvendo armas de fogo no país. Foram 23 casos no estado, de um total de 70 registrados no Brasil, o equivalente a 32,9% das ocorrências nacionais.
Quedas respondem por mais da metade das internações
No Brasil, as quedas também foram a principal causa de hospitalizações por acidentes entre crianças e adolescentes de 0 a 14 anos em 2025. Ao todo, foram 55.814 registros, correspondentes a 43,4% das 128.466 internações consideradas no levantamento.
A participação da Bahia é proporcionalmente maior. O estado concentrou 7,6% de todas as hospitalizações brasileiras relacionadas às categorias de acidentes analisadas pela organização.
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Para José Carlos Sturza de Moraes, Ponto Focal do Projeto Criança Segura da Aldeias Infantis SOS, os números mostram a necessidade de medidas permanentes de prevenção.
“As quedas são um dos acidentes mais frequentes na infância e podem acontecer em diferentes ambientes, muitas vezes em situações cotidianas. Os dados da Bahia mostram a dimensão desse risco e reforçam a necessidade de combinar informação, supervisão e medidas de segurança para tornar os espaços mais protegidos para crianças e adolescentes”, afirma.
Bahia concentra quase um terço dos acidentes com armas de fogo
Entre os dados levantados, as ocorrências envolvendo armas de fogo aparecem como um dos pontos de maior atenção no cenário baiano.
Em 2025, 70 crianças e adolescentes de até 14 anos foram hospitalizados no Brasil por acidentes com armas de fogo. Desse total, 23 casos ocorreram na Bahia, que registrou a maior quantidade e também a maior participação percentual entre os estados.
A maioria das ocorrências nacionais envolveu adolescentes de 10 a 14 anos, faixa que correspondeu a 55,7% dos casos.
Queimaduras e acidentes de trânsito também aparecem
As queimaduras provocaram 1.608 hospitalizações de crianças e adolescentes na Bahia em 2025, representando 16,4% do total estadual. No país, a categoria respondeu por 19,6% das internações analisadas.
Já os acidentes de trânsito somaram 943 hospitalizações no estado, ou 9,6% do total baiano. A proporção ficou abaixo da média nacional, de 11,3%.
O levantamento também registrou internações relacionadas a intoxicações, sufocações e afogamentos, mostrando a variedade de situações que podem representar riscos à população infantojuvenil.
Sufocação foi principal causa de mortes em 2024
O estudo também analisou as mortes de crianças e adolescentes de até 14 anos no Brasil em 2024. Considerando oito categorias de acidentes, foram registrados 3.341 óbitos.
As sufocações apareceram como principal causa, com 1.039 mortes, equivalentes a 31,1% do total. Na sequência vieram os acidentes de trânsito, com 922 óbitos (27,6%), e os afogamentos, com 850 (25,4%).
Somadas, essas três causas representaram aproximadamente 84,1% das mortes analisadas.
O perfil varia conforme a idade: crianças de 1 a 4 anos concentraram 1.095 mortes, enquanto os menores de 1 ano registraram 930 óbitos.
Entre as mortes por sufocação, 75% das vítimas eram bebês. Já os afogamentos tiveram maior concentração entre crianças de 1 a 4 anos. Os acidentes de trânsito atingiram diferentes grupos, incluindo ocupantes de automóveis e caminhonetes, pedestres, motociclistas e ciclistas.
Para Sturza, os resultados reforçam a necessidade de ampliar as ações preventivas e melhorar a identificação dos riscos.
“A Aldeias Infantis SOS defende que famílias, profissionais de saúde, gestores públicos e demais atores envolvidos na proteção da infância atuem conjuntamente para engajar a sociedade em campanhas de conscientização e promover ambientes mais seguros e efetivamente protetores”, afirma.
Organização defende ações de prevenção
A Aldeias Infantis SOS atua no apoio a crianças e jovens sem cuidados parentais ou em situação de risco de perdê-los. A organização está presente em mais de 130 países e territórios, segundo as informações divulgadas pela entidade.
No Brasil, a instituição desenvolve ações voltadas ao fortalecimento de famílias e à proteção dos direitos de crianças e adolescentes. O levantamento sobre acidentes busca contribuir para o debate sobre prevenção e segurança na infância.


