Busca interna do iBahia
HOME > SAÚDE

SAÚDE

Doença rara impede mulher de arrotar por 43 anos e causa som de sapo

Gemma Renwick conviveu por décadas com dores, inchaço e ruídos na garganta

Isabela Cardoso
Por
Gemma Renwick passou décadas sem arrotar
Gemma Renwick passou décadas sem arrotar - Foto: Reprodução | Redes Sociais

A britânica Gemma Renwick conseguiu arrotar pela primeira vez aos 43 anos, após décadas convivendo com inchaço, dores e ruídos involuntários na garganta. Ela descobriu que os sintomas eram provocados pela disfunção cricofaríngea retrógrada, conhecida como R-CPD ou “síndrome do não arroto”.

Moradora de Eastleigh, no condado de Hampshire, na Inglaterra, Gemma cresceu sem saber que havia uma condição por trás dos sintomas. Os ruídos que saíam involuntariamente de sua garganta eram comparados ao coaxar de um sapo e chamavam a atenção das pessoas.

Tudo sobre Saúde em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Décadas sem saber o que causava os sintomas

Segundo o relato publicado pela britânica nas redes sociais, a situação era especialmente constrangedora durante a juventude. Com o passar dos anos, os episódios também passaram a incomodá-la em reuniões profissionais, conversas com clientes e telefonemas.

A partir dos 21 anos, Gemma procurou médicos diversas vezes por causa dos problemas abdominais. Ela recebeu medicamentos para síndrome do intestino irritável e orientações para mudar a alimentação diante da possibilidade de alergias, mas continuou sem uma explicação para o conjunto de sintomas.

Leia Também:

MASSA GARANTIDA

Remédio contra perda de massa muscular é aprovado por agência
Remédio contra perda de massa muscular é aprovado por agência imagem

POLÍTICA

De graça! Lula anuncia distribuição de “canetas emagrecedoras” pelo SUS
De graça! Lula anuncia distribuição de “canetas emagrecedoras” pelo SUS imagem

ESTIAGEM

Super El Niño: como o SUS está se preparando para pior seca no Nordeste
Super El Niño: como o SUS está se preparando para pior seca no Nordeste imagem

Além dos ruídos na garganta, ela apresentava inchaço intenso e dores provocadas pelo acúmulo de ar. Em algumas ocasiões, o desconforto era tão grande que precisava deixar eventos antes do fim e voltar para casa para se deitar na tentativa de aliviar a pressão.

A dor também atingia o peito. Nos momentos mais intensos, Gemma relatava falta de ar e dificuldade para continuar comendo ou bebendo. O consumo de bebidas alcoólicas agravava o quadro, aumentando o inchaço, a náusea e a dor no peito.

O que é a síndrome do “não arroto”?

A R-CPD ocorre quando o músculo cricofaríngeo, localizado na parte superior do esôfago, não relaxa adequadamente para permitir a saída do ar pela boca.

Normalmente, quando o gás sobe do estômago pelo esôfago, esse músculo relaxa e permite que o ar seja eliminado na forma de arroto. Na R-CPD, ele funciona durante a deglutição, permitindo a passagem de alimentos, mas não relaxa adequadamente no sentido contrário para liberar o ar.

Como consequência, o gás pode se acumular no esôfago, no estômago e no intestino. O quadro pode provocar distensão abdominal, pressão no peito e no pescoço, ruídos na garganta e excesso de flatulência.

A causa da alteração ainda não é conhecida, e muitas pessoas convivem com o problema desde a infância.

Descoberta veio por meio do TikTok

A explicação para os sintomas de Gemma apareceu somente em 2024. Ao assistir a um vídeo no TikTok sobre pessoas incapazes de arrotar, ela percebeu que os relatos eram semelhantes ao que vivenciava desde jovem.

A partir da descoberta, Gemma passou a suspeitar que tinha R-CPD e decidiu procurar tratamento particular.

Em maio de 2026, aos 43 anos, ela recebeu uma aplicação de toxina botulínica no músculo cricofaríngeo. Nesse caso, a substância tem uma finalidade diferente da aplicação estética: reduzir temporariamente a contração muscular para permitir que o músculo relaxe e o ar acumulado suba pelo esôfago e seja eliminado pela boca.

Gemma percebeu os primeiros resultados rapidamente. Segundo seu relato, entre o quarto e o quinto dia após a aplicação, os arrotos começaram a sair com mais facilidade e ficaram progressivamente maiores.

Tratamento reduziu sintomas após décadas

A melhora também foi percebida em outros sintomas. Cinco semanas depois do procedimento, Gemma afirmou que já não apresentava o inchaço abdominal nem os problemas provocados pelo excesso de gases que fizeram parte de sua rotina durante décadas.

A aplicação de toxina botulínica para R-CPD, porém, deve ser realizada por profissionais especializados. Entre os possíveis efeitos adversos estão dificuldade temporária para engolir, sensação de alimento parado ou de um “caroço” na garganta e refluxo.

Para Gemma, o tratamento representou uma mudança após anos sem uma explicação para os sintomas. Depois de quatro décadas sem conseguir arrotar, ela finalmente conseguiu eliminar o ar pela boca.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

curiosidades medicina Saúde

Relacionadas

Mais lidas