AMEAÇA INVISÍVEL
Sinal nas pálpebras pode indicar colesterol alto; saiba como proteger o coração
Problema silencioso pode levar anos para dar sinais; CRN-5 orienta sobre trocas alimentares


Um perigo invisível ameaça a saúde de quatro em cada dez brasileiros. O colesterol elevado avança sem alarde ao longo dos anos, obstruindo a circulação sanguínea de forma gradativa e indolor. Por não apresentar sintomas imediatos, a condição costuma ser descoberta apenas quando o quadro evolui para eventos graves, como infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral (AVC).
Dados do Brazilian Journal of Health Review confirmam a alta prevalência do problema no país, acendendo o alerta para a necessidade de diagnóstico precoce.
Por ocasião do Dia Nacional de Combate ao Colesterol, lembrado em 8 de agosto, o Conselho Regional de Nutrição da 5ª Região (CRN-5) faz um chamado à conscientização. A entidade reforça que reestruturar os hábitos alimentares antes que as primeiras alterações apareçam nos exames laboratoriais é a estratégia mais eficaz para preservar o sistema cardiovascular.
Segundo a nutricionista fiscal do CRN-5, Cecília Rios, a ausência de dor torna o problema ainda mais traiçoeiro. "Por não provocar dor ou sintomas visíveis, o colesterol é depositado lentamente na parede das artérias e aumenta o risco de infarto e AVC. Além disso, os sinais clínicos, como o aparecimento de placas amareladas nas pálpebras, podem surgir muito tardiamente, quando o dano já foi instalado", alerta a especialista.
Trocas inteligentes na mesa que protegem as artérias
- Substituição de gorduras: Trocar manteiga, margarina e gorduras aparentes das carnes por azeite de oliva extravirgem.
- Aporte de fibras solúveis: Incluir aveia, psyllium e semente de linhaça para dificultar a absorção de gordura no intestino.
- Inclusão de gorduras boas: Consumir abacate, castanhas e peixes de água fria ricos em ômega-3.
Como posso baixar meu colesterol rapidamente?
Embora a genética determine parte da predisposição individual, o estilo de vida dita o comportamento das taxas de gordura no sangue. "A partir de uma alimentação rica em fibras e gorduras saudáveis, como aveia, psyllium, semente de linhaça, abacate, azeite de oliva e peixes, é possível reduzir o colesterol de forma significativa e, assim, o risco cardiovascular", explica Cecília Rios.
A virada de chave para proteger o coração não depende de dietas punitivas ou restrições severas. Medidas viáveis — como reduzir frituras, moderar o álcool, preferir laticínios desnatados e grelhar os alimentos — trazem impacto real quando mantidas com consistência.
A construção dessa blindagem deve começar cedo, envolvendo crianças que possuem histórico familiar da doença. Ainda assim, o organismo responde com rapidez às melhorias no cardápio e à prática de exercícios físicos em qualquer etapa da vida adulta.
Leia Também:
Visão integrada da saúde e desmistificação de alimentos
- Acompanhamento individualizado: Mapeia riscos genéticos e orienta a escolha de comida de verdade em vez de ultraprocessados.
- Monitoramento contínuo: Avalia exames de sangue e ajusta a necessidade de suplementação dietética quando preciso.
- Análise do padrão global: Avalia o equilíbrio geral das refeições sem culpar ingredientes isolados.
O acompanhamento com um nutricionista é indispensável para desfazer equívocos comuns que circulam sobre a alimentação. O consumo de ovos, por exemplo, frequentemente demonizado como vilão da saúde cardíaca, precisa ser analisado dentro do contexto geral das refeições diárias de cada pessoa.
"Não se deve atribuir o aumento do colesterol ruim a somente um alimento, mas ao padrão alimentar como um todo, considerando as interações entre genes, nutrientes e compostos bioativos", ressalta a nutricionista do CRN-5.
Manter o colesterol sob controle exige consistência. A combinação entre pratos coloridos e minimamente processados, rotina de treinos, controle do peso corporal e abandono do cigarro forma o escudo ideal para garantir longevidade e afastar o risco de emergências vasculares.


