AVANÇO
SUS poderá ter PrEP de longa duração ainda em 2026; veja como funciona
Novidade vai garantir proteção prolongada para o contágio


A PrEP (profilaxia pré-exposição) se tornou uma das principais ferramentas no combate à disseminação do HIV, e o Sistema Único de Saúde (SUS) poderá ter, ainda neste ano, o medicamento de longa duração.
As pílulas da PrEP permitem que a pessoa esteja protegida da infecção mesmo se tiver comportamentos de risco relacionados à infecção. Em breve, com a proteção prolongada para o contágio, não será necessário lembrar diariamente dos medicamentos.
A solução mais próxima de chegar efetivamente ao sistema brasileiro responde pelo nome de cabotegravir e é produzida pela farmacêutica GSK.
Até o momento, a previsão de sua chegada, caso passe por todas as etapas de inclusão, está prevista para este segundo semestre de 2026, mas o medicamento já tem aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) há três anos.
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Trata-se de uma droga injetável de longa duração. Sua proteção, após o uso, se prolonga por dois meses.
Roberta Correa, diretora da unidade de negócios de Virologia da GSK, disse ao O Globo, que em outubro, vindo um parecer positivo da Conitec, a esfera do Ministério da Saúde que determina qual medicamento fará parte do SUS, serão fechadas as negociações e “faremos o possível para ter o medicamento ainda neste ano”
“Nos dois primeiros meses, a aplicação do medicamento é mensal, depois a pessoa retoma a cada dois meses. No estudo que fizemos a proteção é superior a 99%”, disse.
Roberta explicou que o medicamento tem seu uso em larga escala registrado principalmente nos Estados Unidos. Na Europa, a solução ainda está em processo de inclusão. Em outras localidades, o mesmo cabotegravir é usado em combinação com o ativo rilpivirina, para tratamento de pessoas que já convivem com o HIV.
Como vai ser no Brasil?
Quando chegar ao país, o medicamento não deve substituir a presença da PrEP em pílulas diárias, utilizada por mais de 150 mil pessoas no país.
Segundo Draurio Barreira, diretor do Departamento de HIV/AIDS, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (DATHI), do Ministério da Saúde, o projeto inicial é que se receba cerca de 3 mil tratamentos, parte deles utilizados num estudo de implementação e outros comprados para populações específicas.
A ideia é tentar chegar às populações que não vêm sendo cobertas de forma satisfatória pela PrEP oral. “Me refiro muito especialmente às mulheres cis e transgênero, como também às as travestis. Hoje nosso painel de acesso mostra que 80% dos usuários de PrEP oral diária são os homens que fazem sexo com homens (HSM)”, pontuou, também ao O Globo.
“Queremos oferecer para população que não tem a cobertura que desejamos, o que incluí pessoas vulnerabilizadas. Do ponto de vista do risco biológico, as pessoas mais vulnerabilizada são as que fazem sexo anal sem proteção, pois o risco está aumentado”, destacou.
O estudo de implementação do cabotegravir ocorrerá em todas as cinco regiões brasileiras e oferecerá diferentes tipos de PrEP, afirmou Draurio Barreira. Da pílula diária, passando por medicamento injetável bimestral até anel vaginal de proteção (para mulheres cisgênero).
Esse último dispositivo já foi aprovado por agências internacionais, mas não teve implementação por sua baixa eficácia. No uso brasileiro, por exemplo, ele será oferecido como uma segunda barreira, junto do uso de PrEP oral e da camisinha.


