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SETEMBRO VERDE

Transplante de medula óssea: saiba como funciona e quem pode precisar

Leucemia, linfoma e mieloma são as doenças onco-hematológicas que mais indicam o tratamento

Alice Paulilo
Por
Entenda o que o é o transplante de medula e quando ele é indicado
Entenda o que o é o transplante de medula e quando ele é indicado - Foto: Ilustrativa

Regina Santos, de 57 anos, começou a sentir um cansaço físico pertinente, andar 100 ou 200 metros já era motivo de grande esforço, segundo ela. Mas ao contrário de uma anemia, principal suspeita de diagnóstico, este era um sintoma de um mieloma múltiplo, tipo de câncer que afeta as células do sangue e é uma das condições para o transplante de medula óssea.

O câncer de medula é uma doença proveniente de diversas condições como leucemia, linfoma e o próprio mieloma. Mas, o médico Pedro Amoedo, hematologista e coordenador do serviço de Transplante de Medula Óssea do Hospital da Bahia, destaca outras possíveis causas e como as doenças podem indicar o transplante previamente.

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"Algumas outras doenças não são ditas oncológicas, mas também podem se beneficiar com o transplante de medula, como a anemia plásica e a anemia falciforme. Geralmente, os médicos, quando fazem o diagnóstico da doença, conseguem, nos exames iniciais, fazerem o prognóstico delas e saberem se o transplante será necessário", destaca o médico ao portal A TARDE.

"Se é uma doença que tem mais alto risco de recair ou tem uma boa chance de cura, mas o paciente não conseguiu se curar, o transplante de medula óssea já está no caminho do tratamento, ele já faz parte do tratamento", completa.

Transplante de medula óssea

O transplante de medula óssea (TMO), cientificamente chamado de transplante de células-tronco hematopoiéticas, é um tratamento médico que substitui uma medula óssea doente ou danificada por células-tronco saudáveis.

Diferente de transplantes de órgãos sólidos, como o rim ou o fígado, o procedimento não envolve uma cirurgia de grande porte e o Dr. Pedro esclarece essa diferença.

"O paciente acha que o transplante é uma cirurgia, né? O transplante de medula não é uma cirurgia. Ele é um tratamento que envolve quimioterapia e a infusão da célula", explica o especialista.

"Esta infusão é feita como uma transfusão de sangue, a célula fica numa bolsa semelhante a de uma transfusão e é feita a infusão via veia, através do cateter, no corpo do paciente", ressalta.

Como funciona o tratamento?

O tratamento do paciente ocorre em etapas que começam antes da infusão das células-tronco. Veja como funciona o procedimento até a recuperação da produção das células do sangue.

  • Condicionamento/Preparação: O paciente passa por altas doses de quimioterapia e/ou radioterapia para destruir as células doentes e o sistema imunológico comprometido.
  • Infusão: As células-tronco saudáveis são injetadas na corrente sanguínea do paciente por meio de um cateter.
  • Migração: As células viajam sozinhas pela corrente sanguínea, se aclopam no interior dos ossos e começam a se multiplicar, restabelecendo a produção normal das células do sangue (glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas).

Transplante alogênico ou autólogo

Existem dois tipos de transplantes de medula óssea, o alogênico e autólogo. A principal diferença entre eles é a origem da célula saudável e o critério para realização de um ou de outro está na doença a ser tratada.

"O transplante alogênico é o que a gente mais conhece, ele trata as doenças que vem da própria medula e, nesse caso, você precisa trocar a célula tronco. É aquele que precisa de um doador. A leucemia mieloide aguda, leucemia linfoide aguda e as aplasias são os carros-chefe para o transplante alogênico", esclarece.

"Já o transplante autólogo é aquele que você pode usar a célula no próprio paciente, ele trata doenças como linfoma e mieloma. Como não envolve as células de outra pessoa, não envolve também aquelas complicações, que a gente às vezes ouve, do transplante de rejeição. Ele acaba sendo um tratamento mais simples do que o transplante alogênico", diz o médico.

"O paciente com mieloma múltiplo já tem o transplante autólogo indicado na primeira linha, ou seja, faz parte do tratamento completo", ressalta Dr. Pedro.

Foi justamente o que aconteceu com Regina Santos, diagnosticada com mieloma múltiplo após mais de um ano de investigação. Os primeiros sinais da doença, segundo ela, ao portal A TARDE, surgiram em dezembro de 2023, quando procurou uma emergência após se sentir mal e foi encaminhada para um hematologista, porque as taxas de hemoglobina estavam muito baixas.

"Em 2024, eu me mudei para Salvador e, imediatamente, fui procurar uma médica hematologista, expliquei a ela como eu estava e ela passou vários exames. Um desses exames demorava e em março de 2025 eu fui diagnosticada com mieloma múltiplo", relata a paciente.

"Quando eu recebi o diagnóstico, ela já me orientou, me disse que eu teria que passar por esse processo de quimioterapia e que eu tinha um câncer de sangue. Eu iniciei fazendo o tratamento e logo em seguida eu fiz o transplante", conta ela.

Regina realizou o transplante de medula em setembro de 2025 e atualmente segue apenas com quimioterapias quinzenais para finalização do tratamento. Ela conta que está se sentindo muito bem.

"Eu tô ótima, tranquila. Ainda tem um tempinho, ainda preciso seguir um protocolo, mas eu me sinto bem, durmo bem, acordo bem, caminho, saio, volto, tenho uma vida que, vou dizer a você, está praticamente estabelecida", compartilha Regina.

"Ainda não posso estar em aglomerações, em ambientes fechados e se eu tiver em ambientes fechados, tipo um consultório médico, eu uso máscaras, mas estou bem", completa.

Doação da medula óssea

O Brasil deve registrar 12.220 novos casos de leucemia por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Para a Bahia, são esperados 790 novos diagnósticos somente em 2026.

Como já explicado acima, a leucemia se enquadra na lista de doenças que precisam da doação de medula para serem curadas. Diante do número de casos estimados, fica claro a importância da presença de doadores.

A doação de medula óssea é algo simples e rápido de se fazer, sem riscos para o doador, com recuperação rápida e o procedimento praticamente indolor.

"No procedimento, esse o doador não vai sentir dor, ele pode sentir um pequeno desconforto na região que foi feita a coleta, mas com analgésico simples melhora", afirma o hematologista.

"A doação de medula pode ser feita de duas maneiras. Ou pela via periférica, com a máquina de aférese, ou pelas punções na bacia, que são mais famosas e precisam ser feitas no centro cirúrgico. A diferença entre elas é que na máquina de aférese o doador precisa ter uma veia boa, bem calibrosa, então tem essa limitação, e na punção o doador vai ser internado por um dia, sedado e vai realizar o procedimento fazendo a retirada de uma restrita quantidade de célula tronco", explica.

"É importante a gente frisar que em poucas semanas o corpo do doador já tá totalmente normal, sem anemia e sem nenhuma deficiência", completa o médico.

Como ser um doador de medula?

O transplante de medula óssea salva vidas; entenda e seja um dador
O transplante de medula óssea salva vidas; entenda e seja um dador - Foto: Ilustrativa

Para ser um doador, é necessário seguir os seguintes critérios:

  • Ter entre 18 e 35 anos para realizar o cadastro inicial;
  • Estar em bom estado de saúde no momento do cadastro;
  • Passar por uma entrevista de triagem, na qual são avaliados o histórico de saúde e possíveis doenças que possam impedir a doação.

É importante saber que ter tido alguma doença ou infecção no passado não significa automaticamente que a pessoa esteja impedida de doar. Segundo o especialista, existem situações específicas que podem impedir o cadastro ou a doação, e elas são avaliadas individualmente durante a triagem.

Após o cadastro, o doador pode permanecer no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME) até completar 60 anos. realizada uma coleta de sangue para fazer a tipagem e identificar as características de compatibilidade entre o doador e o paciente.

A compatibilidade entre doador e paciente é avaliada pelo sistema HLA, através de uma coleta de sangue. O sistema identifica características das células e tecidos de cada pessoa, diferentemente do tipo sanguíneo tradicional, como A+, B+ ou O+, o que permite saber se doador e paciente podem realizar o transplante.

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O diagnóstico de uma doença onco-hematológica pode marcar o início de uma etapa difícil, mas Regina, que hoje segue apenas com a fase final do acompanhamento, compartilha uma mensagem para quem está começando essa caminhada.

"Eu deixo a todas as pessoas que venham a passar por esse processo, que elas cuidem muito da saúde emocional. É um fator importante que faz com que a gente consiga, além de entender o processo que tá acontecendo com você, entender também as pessoas que estão ao teu redor e a forma como elas querem te ajudar", relata.

"Quando você estabelece o controle emocional, a gente também tranquiliza os nossos e os demais e aí a coisa segue de uma forma maravilhosa e tranquila", finaliza Regina.
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Medula óssea setembro verde transplante

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