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Brasileiros lideram adoção de IA na América Latina, mas temem demissão
Pesquisa mostra que 62% dos trabalhadores têm medo de ensinar a tecnologia e virar refém


O profissional brasileiro assumiu a vanguarda do uso da inteligência artificial na América Latina. É o que aponta a segunda edição da pesquisa “Work: In Progress - Descobertas de como a IA está transformando o trabalho”, divulgada nesta quinta-feira, 24, pelo Google Cloud, em parceria com a IDC e a Provokers, durante o Google Cloud Summit Brasil 2026, no Transamérica Expo Center, em São Paulo. No entanto, o avanço rápido é impulsionado mais pela iniciativa individual do trabalhador do que pelo planejamento das empresas, gerando alertas de governança e segurança da informação.
Segundo o estudo, 71% dos profissionais brasileiros já trabalham diretamente com assistentes de IA no seu dia a dia, superando a média regional de 63%. Quando o assunto são os agentes autônomos de IA — sistemas capazes de delegar e executar tarefas mais complexas —, o Brasil também lidera com 59% de adoção ativa, contra 54% no restante da América Latina.

O risco do uso "silencioso" de IA pessoal
Apesar da alta maturidade, o levantamento expõe um gargalo preocupante: o uso descentralizado e informal da tecnologia. Cerca de 38% dos trabalhadores brasileiros admitem usar rotineiramente contas ou agentes de IA pessoais para resolver demandas da empresa.
Esse comportamento cria o chamado "risco invisível" de vazamento de dados, fortalecido pela falta de percepção de perigo por parte da força de trabalho: 59% dos que usam IA pessoal no emprego acreditam que a prática representa risco baixo ou nulo para a organização.
Entre os principais motivos para recorrer a soluções próprias estão:
- Incompatibilidade corporativa: 29% apontam que os sistemas oferecidos pelas empresas não se integram aos softwares do dia a dia;
- Facilidade e privacidade: 39% consideram os agentes pessoais mais fáceis de usar e se sentem mais seguros neles;
- Falta de opção: 22% afirmam que a empresa onde trabalham simplesmente não fornece ferramentas oficiais de IA.
"O Brasil se consolida como o motor de inovação digital da região. O grande desafio estratégico agora é converter essa adoção orgânica em uma alavanca de transformação de negócios, oferecendo ambientes seguros e governados", destaca Marcel Silva, líder de vendas de IA do Google Cloud na América Latina.
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Medo da substituição e apagão de treinamento
A transição para os agentes autônomos também traz dilemas emocionais. A pesquisa revela que 62% dos brasileiros têm medo de se tornarem dispensáveis ao ensinar ou programar IAs para executar partes de suas funções — um índice superior à média latino-americana (57%).
Além do receio da automação, 75% dos trabalhadores relatam não saber exatamente como pedir ou estruturar prompts para obter uma ajuda mais significativa das ferramentas.
Para Luciano Ramos, Country Manager da IDC Brasil, há uma carência severa de capacitação técnica. "O papel das empresas e dos provedores é crucial para ajudar o trabalhador a deixar de ser um mero executor de tarefas e passar a atuar como supervisor e tomador de decisões apoiado por agentes inteligentes", conclui.
Sobre a metodologia
A pesquisa ouviu 3.200 profissionais em empresas de médio e grande porte (com mais de 500 funcionários) no Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e México entre junho e julho de 2026. A amostragem brasileira contou com 650 entrevistados.
*Repórter viajou para o Google Cloud Summit Brasil 2026, em São Paulo, a convite do Google Brasil.


