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MENSAGEM OCULTA

IA decifra em 6 horas enigma de Napoleão sem solução há 200 anos

Engenheiro utiliza inteligência artificial para revelar mensagem secreta de 1809 a general

Redação e AFP
Por Redação e AFP
Reprodução de uma carta de guerra endereçada a um dos generais de Napoleão, escrita em código secreto em 1809
Reprodução de uma carta de guerra endereçada a um dos generais de Napoleão, escrita em código secreto em 1809 - Foto: ANNE-CHRISTINE POUJOULAT/AFP

Como a inteligência artificial (IA) conseguiu resolver, em apenas seis horas, um enigma histórico que permaneceu sem solução por mais de 200 anos? A resposta está na convergência entre algoritmos de última geração e o trabalho de historiadores, que encontraram nas ferramentas digitais uma chave sem precedentes para traduzir mensagens criptografadas e recuperar documentos considerados perdidos.

O marco recente envolveu a decifração de uma carta secreta enviada em 1809 pelo imperador francês Napoleão Bonaparte a um de seus generais, detalhando o posicionamento tático de tropas francesas e aliadas durante as guerras napoleônicas.

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Disponibilizado em um arquivo universitário online, o documento desafiava pesquisadores há gerações. Sem o suporte digital, a quebra do código exigiria semanas ou meses de análise manual. No entanto, um modelo avançado desenvolvido pela OpenAI realizou o trabalho em um único dia.

"O que a IA traz, acima de tudo, é perseverança", destacou o engenheiro de IA Carter Church, de 27 anos, responsável por conduzir o experimento com o modelo computacional.

Papiros do Vesúvio revelam textos filosóficos ocultos

A aplicação da IA na história não se limita aos códigos militares napoleônicos. A tecnologia vem sendo decisiva para ler os célebres Papiros de Herculano, rolos de texto carbonizados durante a trágica erupção do vulcão Vesúvio, no ano 79 d.C.

Por se tratarem de relíquias extremamente frágeis que se esfarelam ao menor toque humano, os rolos foram submetidos a escaneamentos de alta resolução por raios X. Na sequência, algoritmos de inteligência artificial analisaram a densidade do material e identificaram o traçado da tinta incrustada nas camadas de carbono.

Em junho, pesquisadores anunciaram a primeira reconstituição virtual completa de um papiro preservado na Biblioteca Nacional de Nápoles. "O texto revelado é um tratado estoico dedicado à ética", explicou Federica Nicolardi, professora associada de papirologia na Universidade de Nápoles.

Projeto francês quer decifrar 'séculos esquecidos' da Europa

Iniciativas institucionais também ganham escala no continente europeu. Na França, o projeto "Back in time" reúne historiadores, criptógrafos e cientistas da computação para criar algoritmos capazes de mapear e transcrever milhares de cartas diplomáticas e ordens militares codificadas com triângulos, círculos e símbolos inventados.

"Há séculos inteiros sobre os quais estamos totalmente perdidos", revela Cécile Pierrot, criptógrafa do Instituto Nacional de Pesquisa em Ciências e Tecnologias Digitais da França (Inria). A expectativa da equipe é que os avanços forneçam uma visão muito mais ampla e precisa sobre os bastidores da história global.

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O 'Facebook do passado' e a análise de milhões de manuscritos

Além de decodificar mensagens secretas, a inteligência artificial tem permitido a análise em massa de acervos colossais, uma tarefa inviável para equipes humanas.

Exemplo disso é o projeto Midrash, que utiliza IA para transcrever mais de 10 milhões de páginas de manuscritos hebraicos sobre a cultura judaica. Para Daniel Stökl Ben Ezra, diretor de estudos na École Pratique des Hautes Études, em Paris, o volume de dados processados cria uma espécie de "grande Facebook do passado".

Através dessa rede de dados interconectada, historiadores conseguem cruzar referências, mapear relações entre figuras históricas, rastrear nomes e identificar a evolução de ideias ao longo de milênios em questão de segundos.

  • 1 de 3 Reprodução de uma carta de guerra endereçada a um dos generais de Napoleão, escrita em código secreto em 1809
    Reprodução de uma carta de guerra endereçada a um dos generais de Napoleão, escrita em código secreto em 1809 |
  • 2 de 3 This photograph taken at military archives at the Vincennes castle, outside Paris, on October 15, 2026 shows of a reproduction of a wartime letter addressed to one of Napoleon's generals written in secret code in 1809, detailing the positions of French troops. The message remained an unsolved mystery for more than 200 years until artificial intelligence deciphered it in just a few hours. (Photo by Anne-Christine POUJOULAT / AFP)
    This photograph taken at military archives at the Vincennes castle, outside Paris, on October 15, 2026 shows of a reproduction of a wartime letter addressed to one of Napoleon's generals written in secret code in 1809, detailing the positions of French troops. The message remained an unsolved mystery for more than 200 years until artificial intelligence deciphered it in just a few hours. (Photo by Anne-Christine POUJOULAT / AFP) |
  • 3 de 3 Esta fotografia, tirada nos arquivos militares do Castelo de Vincennes, nos arredores de Paris, em 15 de outubro de 2026, mostra a reprodução de uma carta de guerra endereçada a um dos generais de Napoleão, escrita em código secreto em 1809, detalhando as posições das tropas francesas.
A mensagem permaneceu um mistério por mais de 200 anos, até que a inteligência artificial a decifrou em poucas horas.
    Esta fotografia, tirada nos arquivos militares do Castelo de Vincennes, nos arredores de Paris, em 15 de outubro de 2026, mostra a reprodução de uma carta de guerra endereçada a um dos generais de Napoleão, escrita em código secreto em 1809, detalhando as posições das tropas francesas. A mensagem permaneceu um mistério por mais de 200 anos, até que a inteligência artificial a decifrou em poucas horas. |
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história Inteligêcnia artificial Napoleão

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